March, 2011


31
Mar 11

Esoterica IV – O Ataque do Irmão do Golias

Esta é curta…

Um belo dia, estou eu e o Luis Sequeira a trabalhar numa merda qualquer, quando nos entram pela porta dentro 2 fiscais do ICP (hoje Anacom).

Um aparte: o ICP era tido e conhecido como a Portugal Telecom versão 2. Saiam tipos da PT para irem trabalhar para o ICP e depois vira o disco e toca o mesmo e saiam tipos do ICP para ir para a PT. Os outros operadores que existiam estavam sempre lixados, a PT sabia tudo o que se passava e tinha a influência para parar muita coisa.

Acontece então que os senhores fiscais vinham muito especificamente à procura de dois modems que, diziam, não estavam certificados pelo ICP e portanto estavam ilegais. Pergunto-me como é que souberam que eram dois modems e como sabiam qual o modelo supostamente “ilegal”. Eram dois modems especiais para linhas dedicadas que ligavam Lisboa ao POP do Porto e Lisboa a Londres (a nossa primeira ligação permanente, à Pipex, a uns brutais 28.8kbps).

O problema é que eu e o Luis Sequeira tinhamos tido esse cuidado. Antes de comprarmos os modems tinhamos verificado se estavam na lista do ICP como aceites. “Não senhor! Temos a certeza que são ilegais!”

Fomos às Internets a um FTP server qualquer (não sabem o que é FTP? meninos…) buscar um big ficheiro TXT disponibilizado por alguém onde o modelo dos modems era listado como aprovado pelo ICP. Mostramos aos senhores. Ficaram com cara de tacho e foram-se embora.

Temos pena, esta não pegou. Mas o irmão do Golias viria a voltar a atacar, desta vez com uma bomba atómica.


18
Mar 11

“Entrepreneurship and Business Plan” Class Slides

So here I am at 2am, uploading for my students the presentations that I use at  Universidade Catolica Portuguesa in my Entrepreneurship and Business Plan classes (part of the Master of Science in Business Administration) and it suddenly hit me why I had never thought about putting them online for use by others.

So without further ado, here are the slides for the first 6 sessions of the EBP course (they’re 12 in total, I’ll put the other 6 sessions up at the end of the semester). They are available in LibreOffice/OpenDocument format (the original) and in PDF format (stuff might be missing and formatting might not be OK). Microsoft Powerpoint you say? You should be so lucky. Piss off.

Also included are a couple of articles that I use for discussion in class. Enjoy.


17
Mar 11

The Second Homecoming of the Return of the All Encompassing Meta Group

“So there’s this very complicated moment of a group coming together, where enough individuals, for whatever reason, sort of agree that something worthwhile is happening, and the decision they make at that moment is: This is good and must be protected. And at that moment, even if it’s subconscious, you start getting group effects.

Now, Bion decided that what he was watching with the neurotics was the group defending itself against his attempts to make the group do what they said they were supposed to do. The group was convened to get better, this group of people was in therapy to get better. But they were defeating that. And he said, there are some very specific patterns that they’re entering into to defeat the ostensible purpose of the group meeting together. And he detailed three patterns.

So these are human patterns that have shown up on the Internet, not because of the software, but because it’s being used by humans. Bion has identified this possibility of groups sandbagging their sophisticated goals with these basic urges.

Now, this story has been written many times. It’s actually frustrating to see how many times it’s been written. You’d hope that at some point that someone would write it down, and they often do, but what then doesn’t happen is other people don’t read it.

The most charitable description of this repeated pattern is “learning from experience.” But learning from experience is the worst possible way to learn something. Learning from experience is one up from remembering. That’s not great. The best way to learn something is when someone else figures it out and tells you: “Don’t go in that swamp. There are alligators in there.”

This pattern has happened over and over and over again. Someone built the system, they assumed certain user behaviors. The users came on and exhibited different behaviors. And the people running the system discovered to their horror that the technological and social issues could not in fact be decoupled.

And the worst crisis is the first crisis, because it’s not just “We need to have some rules.” It’s also “We need to have some rules for making some rules.” And this is what we see over and over again in large and long-lived social software systems. Constitutions are a necessary component of large, long-lived, heterogenous groups.

Geoff Cohen has a great observation about this. He said “The likelihood that any unmoderated group will eventually get into a flame-war about whether or not to have a moderator approaches one as time increases.” As a group commits to its existence as a group, and begins to think that the group is good or important, the chance that they will begin to call for additional structure, in order to defend themselves from themselves, gets very, very high.”

Clay Shirky, A Group Is Its Own Worst Enemy http://www.shirky.com/writings/group_enemy.html

 


15
Mar 11

Esoterica III – O Retorno do Golias

Conheço o Manuel Forjaz já vai para mais de 15 anos.

Em 93 ou 94 ele era director de marketing administrador da Bertrand. Eu e a Cristina tinhamos acabado de casar e a Cristina, embora tendo uma licenciatura em Design de Moda e uma empresa de moda (que não dava dinheiro), resolveu voltar a estudar e fazer a licenciatura em Design Gráfico (toma lá geração à rasca). Entre as aulas e a vida familiar, começou também a trabalhar como freelancer (apanha geração à rasca) e acabou por começar a trabalhar para a Bertrand, por intermédio do Manuel Forjaz. Um ano ou dois mais tarde transformou esse freelancing na Ruido Visual, empresa que ainda hoje está no activo (aguenta e não chora geração à rasca).

Eu, por meu lado, durante 1993 e 1994 era um mero bolseiro investigador no LNEC, a caminho de funcionário público portanto. Ganhava, salvo erro 112.000$ (pouco mais de 500€; sim, também eu fui um “quinhentoseurista”, encaixa geração à rasca). O que, para além de alguns trabalhos da Cristina, era o que tinhamos para viver. Isso não me impediu de, em 1994, estar em frente ao precipicio, dar um passo em frente e começar a Esoterica (vai buscar geração à rasca), pouco tempo antes da Cristina começar a Ruido Visual.

Por via do trabalho que a Cristina fazia para a Bertrand, e sabendo do que eu (Esoterica) estava a fazer, o Manuel Forjaz pediu para falar comigo. A Bertrand ia lançar um evento, chamado “Livros no Chiado”, e queria que o assunto Internet estivesse presente. Para isso ia ter postos de acesso à Internet públicos, geridos e montados pela Telepac (e a vender Netpacs), entre outras iniciativas.

Ora acontece que a Bertrand não tinha website. Isto apesar de ter pedido a construção do mesmo à Telepac, que não tinha tempo ou mãozinhas e mandava tudo para a Tinta Invisivel. O Manuel Forjaz e a Bertrand pediram por isso que construissemos o site da Bertrand. “Sim senhor, vamos a isso”. Levantamento de requisitos, protótipos, design, etc e tal, incluido uma coisa inaudita em Portugal (na altura) que era funcionalidades de loja online, de se poderem comprar livros online à Bertrand.

Dois dias antes do Livros no Chiado (onde é que eu já vi isto), o Manuel Forjaz liga-me para conversarmos. Para encurtar a história, mais uma vez: “eh pá, oh Mário, a Telepac diz que se são vocês a construir o site da Bertrand, acaba com o patrocinio ao Livros no Chiado, não podemos avançar com o site…”

Não avançámos. Se bem me lembro na altura estávamos a construir o site da Unisys e tinhamos mais que fazer. A Bertrand lá foi para o evento com um site manhoso, com meia dúzia de páginas de merda montadas por uma empresa que não era de “vão de escada” (um dia conto mais sobre esta) mas que por outro lado se comportava como um bando de mafiosos.


10
Mar 11

Esoterica II – David e Golias

 

Acontece então que um belo dia, lá para os fins de 95 ou inicios de 96, somos (Esoterica) contactados pelo Banco de Fomento Exterior.

O BFE, hoje em dia integrado no BPI, resolveu na altura lançar um package que incluia o financiamento à compra de um PC e o acesso Internet acoplado ao mesmo. Obviamente não iam lançar toda uma infraestrutura própria e por isso tinham acordado com a Telepac poderem usar a sua rede nacional de acesso (vulgo POPs). Alguns estarão lembrados dos logins/emails bfeXXX@telepac. Tirando isso o BFE geria a restante infraestrutura (servidores de email, news, DNS, etc)

Para além disso o BFE não tinha condições, por várias razões, de prestar o suporte técnico telefónico necessário para os seus utilizadores. Por isso contratou a Esoterica em Lisboa e a Caleida no Porto para prestarem esse suporte técnico. Nós, depois do contrato assinado, lá começamos a montar a coisa: contratar linhas telefónicas, comprar equipamento de call center, recrutar pessoas, arranjar espaço, mobiliário, etc.

Eis senão quando o BFE nos convoca para uma reunião na sede da Casal Ribeiro. Lá fomos… Para encurtar a coisa: “desculpem lá, fomos contactados pela Telepac, vieram-nos dizer que se era a Esoterica a dar o suporte técnico em Lisboa a Telepac rasgava o contrato de acesso aos POPs e portanto queriamos pedir-vos se podiamos revogar o contrato convosco”…

Lá revogámos o contrato, depois de ressarcidos das despesas em que tinhamos incorrido. Não andávamos ali para arranjar guerras comerciais e muito menos legais, fosse com bancos ou fosse com operadores monopolistas filhos da puta. Não tinhamos dinheiro para pagar a advogados. Para além de que ter o Golias chateado com as caneladas que uns fedelhos lhe andavam a dar já tinha sido satisfação suficiente.