Deixem-nos Ser Empreendedores

Aqui há umas semanas atrás li um artigo (que agora não sei qual é nem onde foi porque os sistemas actuais de bookmarks não valem um peido) onde se falava de como tornar um país mais atractivo para o empreendedorismo. E hoje apareceu na minha lista de artigos para ler um post sobre “Quem São os Empreendedores”, onde é traçado um perfil do empreendedor comum.

Vão lá para o fundo do infográfico e vejam quais são os problemas típicos dos empreendedores nos EUA: os mesmos que em Portugal. Ou seja, acima de tudo os custos com o Estado social(ista); impostos e segurança social e etc. Em Portugal, feitas bem as contas, a taxa de impostos paga por uma empresa nos primeiros anos de vida pode ser 40, 50 e 60%. A reacção dos meus alunos de Entrepreneurship e Business Planning foi engraçada quando confrontados com esta realidade. Especialmente os alunos estrangeiros (Erasmus), que são neste momento cerca de 30% na Universidade Católica.

O que é que podia ser feito para que Portugal fosse mais empreendedor e atraísse mais empreendedores? Aqui vai a minha listinha para o Pai Natal:

  • para as empresas com menos de 3 anos e/ou menos de 100.000€ de facturação, permitir o diferimento dos pagamentos da Segurança Social. Não é eliminar os pagamentos ou a Segurança Social (embora isso fosse a situação ideal). Os pagamentos devidos à Segurança Social seriam contabilizados e teriam de ser pagos assim que a empresa ultrapassasse os limites referidos. Em suaves prestações, claro.
  • para as empresas com menos de 3 anos e/ou menos de 100.000€ de facturação, permitir o diferimento dos pagamentos de IRS e IRC. Não é eliminar. Os pagamentos devidos seriam contabilizados e teriam de ser pagos mais tarde, depois de ultrapassados os limites referidos
  • se dentro dos 3 anos referidos a empresa tivesse de fechar, os pagamentos não tinham de ser feitos. O Estado, se quer empreendedores e empreendedorismo, tem de ser parceiro no risco: partilha nos lucros (ie. cobra impostos) mas também partilha nas perdas.
  • EDIT: IVA contra recibo em vez de factura para as novas empresas ( @jneves )
  • adicionalmente, e especialmente tendo em conta que o desemprego nas camadas mais jovens não de 9, 10 ou 11% mas sim de 20 ou 25%, abolir durante os mesmos 3 anos de uma empresa, para empregados com idade inferior a 25 anos, a aplicabilidade do salário mínimo.
  • finalmente, permitir que uma empresa, antes de completar 3 anos e/ou ter menos de 100.000€ de facturação, possa fechar de forma liminar, sem abertura de falência, administradores judiciais, pagamento de indemnizações, etc

Garanto-vos que em 3 anos o empreendedorismo duplicava e que passados esses 3 anos o acionista Estado estava a receber dividendos (ie. impostos) bem maiores do que os que obtém actualmente.

O melhor que o Estado pode fazer para promover o empreendedorismo é sair do caminho e deixar-nos trabalhar. Depois faziamos contas mais tarde.

37 comments

  1. E depois se não pagas como é que a mota engil sobrevive ?

  2. Olá,

    Faz sentido. Acho que algumas são boas ideias.

    A questão de fechar a empresa e ser o estado a assumir o imposto é muito complicada. Haveria por aí muitos casos de empresas a fechar e a abrir com nomes diferentes.

    Sinceramente acho que também faz muita falta cultura de risco mesmo para as empresas privadas. Principalmente a nível de investimento. Faz falta capital de early stage. Faz falta ter investidores a assumir risco em vez de se comportarem como banca de retalho.

    Quanto aos fundos de R&D do estado… é melhor nem falar nisso. As datas de submissão e execução de projectos (QREN, etc) são ridículas. Lançar novos produtos no mercado tem que ser feito no espaço de meses, um ano no máximo. Não faz sentido submeter propostas ao QREN e aguardar 4 meses pela aprovação. Também não fez sentido abrirem-se concursos em datas que ninguém consegue prever. Não é possível basear Business Plans em concursos de investimento com datas desconhecidas.

    • >Haveria por aí muitos casos de empresas a fechar e a
      >abrir com nomes diferentes.
      >

      E portanto: o Estado, em vez de assumir que somos pessoas de bem e actuar em conformidade caso não seja verdade, assume como alternativa que todos somos uns bandidos. É uma das diferenças dos países do Sul da Europa relativamente aos de Norte e aos EUA.

      Hoje em dia, com coisas como o IES e o depósito obrigatório de contas, é fácil identificar esses casos. Identificados: tribunal e pena de prisão.

      >Faz falta capital de early stage. Faz falta ter investidores
      >a assumir risco em vez de se comportarem como banca de
      > retalho.
      >

      http://seedcapital.pt/

      — MV

  3. Interessante…

    1) Mto bom empreendedor iria fechar a sua empresa de 2.8 em 2.8 anos, abrindo uma nova. Como culmatar isso?

    2) Há algum caso no mundo q faça algo semelhante?

    3) Uma facturação anual de €100,000, assumindo uma média de lucro bruto de 20-30%, dará para pagar 2 salarios de €1,000 cada durante (12+2 meses, segundo a lei)….

    São não contarmos com empresas q vivem à custa do mercado paralelo (e consequentemente ganham mais q facturam), a carga fiscal de uma coisa destas não seria tão pesada assim.

    • >1) Mto bom empreendedor iria fechar a sua empresa
      >de 2.8 em 2.8 anos, abrindo uma nova. Como culmatar
      > isso?

      Em primeiro lugar não me referiria a alguém com essa atitudo como “bom empreendedor”.
      Segundo, vide acima: fiscalização, acção e cadeia.

      — MV

    • >2) Há algum caso no mundo q faça algo semelhante?
      >

      Eu estou-me a cagar para se alguém está a fazer ou não. Se se quer inovação e liderança não se pode andar a copiar um qualquer país ou uma qualquer moda.

      >3) Uma facturação anual de €100,000, dará para pagar 2 salarios de
      > €1,000 cada durante
      >

      E?… Não percebi o argumento.

      — MV

  4. qdo falamos em empreendedorismo grassroot, sem grandes meios, mtas vezes existem empreendedores q decidem não comprar casa, carro, férias e outras regalias para fazerem o projecto deles acontecer. Diria até q estes serão mais propensos a ganharem pq são mais “scrappy”.

    Que tal uma lei q incentivasse esses? Discriminação positiva?

    • >qdo falamos em empreendedorismo grassroot, sem
      >grandes meios, mtas vezes existem empreendedores
      >q decidem não comprar casa

      Estás a ensinar o Pai Nosso ao vigário.

      > Que tal uma lei q incentivasse esses? Discriminação
      >positiva?
      >

      Não estarás a arranjar desculpas?
      http://twitter.com/damiansen/statuses/15056528226652160

      — MV

      • >fiscalização, acção e cadeia.
        Concordo. Justiça q funcione, alias é um aspecto q ajudaria startups mto mais

        > não me referiria a alguém com essa atitudo como “bom empreendedor”.
        Nem ironicamente?

        >2) Há algum caso no mundo q faça algo semelhante?
        “Portugal”, “querer” e “liderança” neste aspecto são 3 palavras q não fazem qq sentido.

        >3) Uma facturação anual de €100,000, dará para pagar 2 salarios de > €1,000 cada durante…
        Não era um argumento contra

      • Não tava a tentar ensinar nada a ninguem, nem percebi o tom das respostas… Espero não ter sido mal entendido pq não comentei (ou tive intenção de comentar) com tom semelhante ;-)

        Alias concordei com alguns comentários pontuais e juntei-me à troca de ideias como exercicio de racionio (extendendo para o sub-caso das “prioridades pessoais”).

        Não percebi o comentário d “estar a arranjar desculpas”, pois estava a falar de um caso hipotético. Empreendedores não parecem passar mto tempo a arranjar desculpas.

    • Bom,

      Não podia discordar mais, isso parece-me contra qualquer estado social, e para agrado ou não de alguns, há que existir alguma igualdade de oportunidades.

      Então o que estás a sugerir, peço desculpa se entendi mal, que tu por teres decidido não comprar 1 carro, 1 casa ou outra qualquer comodidade, terias mais incentivos para arracares com um projecto do que eu, que decidi comprar casa há uns anos ?

      Não vejo qualquer base para concordar com isto. Parece-me discriminação pura.

      Mais uma vez, posso-te ter entendido mal.

      • José , discriminação positiva será sempre discriminação.

        O meu “thought” foi pelo facto q mtos empreendedores decidem não adquirir casa ou carro (ou adiar a compra) por causa do investimento na empresa. Será q isso gera valor para a sociedade?

        S isso deve ser premiado por impostos é uma questão mto mais à frente. De qq maneira, empreendedores não o farão com o intuito de ser reconhecidos pela sociedade q beneficia do valor q eles geraram logo tbm não esperam por beneficios para o fazer.

  5. Bom tópico, vejo-me na obrigação de deixar aqui alguns pontos adquiridos pela minha experiência.

    Já estive do lado de quem tem uma empresa há cerca de 5 anos, o projecto foi vendido. Sei o peso que a carga fiscal tem numa micro-empresa, especialmente nos primeiros anos de vida da mesma, no entanto isso não me impediu de voltar outravez agora, à árdua tarefa de arrancar com outro projecto.

    Concordo que a taxa fiscal é muito elevada, e sendo a minha primeira empresa na altura, sofri alguns, leia-se muitos, choques, mesmo tendo tido o cuidado de fazer o trabalho de casa e me aconselhar com quem percebia do assunto.

    Compreendo também que, o conformismo nunca deverá ser o caminho a seguir, mas deixo a seguinte pergunta, será que a questão fiscal não será só por si também uma desculpa ?

    Desculpem a sinceridade, mas assumir que somos todos uns bandidos em Portugal, como a maioria dos comentários acima insinua, não me deixa surpreso mas no mínimo chateado deixa. Acredito também que deveria existir discriminação positiva nestes casos e não negativa.

    Existe algo que deveria ser tido em conta, no que respeita a este tópico do empreendedorismo: tornar os processos de candidatura aos financiamentos mais ágeis e transparentes. Infelizmente a maioria dos processos de financiamento que existem em Portugal, no que respeita a QREN’s e outros incentivos ao investimento são cadernos extremamente burocráticos e as selecções são muito pouco transparentes.

    Nota: Não sou nenhum especialista na matéria, este comentário é baseado na minha experiência passada.

    Os meus 5 cêntimos.

  6. Artur Palha

    Já agora também se dá dinheiro às empresas para compensar prejuízos (pelo empreendedorismo), mas se derem lucro ficam com o lucro todo para elas.

    “O que é que podia ser feito para que Portugal fosse mais empreendedor e atraísse mais empreendedores?” Acabar com este bandalhos destes proto-capitalistas portugueses que defendem empresas de merda com salários de merda. Isso é que tornava Portugal mais empreendedor.

    O Norte da Europa? Mas já algum dos espertos esteve no Norte da Europa? Papaguear é o que se faz aqui.

    A banca é um bom exemplo do estado a sair do sítio e o descalabro que existe é um bom resultado.

    Abolir o salário mínimo nos primeiros 3 anos? Mas há alguém seriamente a propor isto? E acha mesmo que isto é solução para o que quer que seja? A Holanda, por exemplo, tem salários destes? A Alemanha?

    Andamos a brincar.

    Poupem-me…

    • Apeteceu-me não aprovar este comentário… mas pronto.
      (Não, este não é um espaço com liberdade de expressão)

      >Já agora também se dá dinheiro às empresas para compensar
      >prejuízos (pelo empreendedorismo), mas se derem lucro ficam
      >com o lucro todo para elas.
      >

      É o que Estado anda a fazer com as concessões e as parcerias
      publico/privadas. Havia alguma novidade?
      Como é obvio o Estado não tem que dar dinheiro nenhum às
      empresas. Deve deixá-las fechar. Sejam pequenas ou sejam
      grandes (BPN)

      >Acabar com este bandalhos destes proto-capitalistas portugueses
      >que defendem empresas de merda com salários de merda. Isso é
      > que tornava Portugal mais empreendedor.
      >

      Para além das qualificações estúpidas e para além dos lugares
      comuns debitados, algum argumento contra ou a favor que possa
      ser sustentado? Sugestões de soluções? Pode começar por explicar
      como é q se acaba com os “bandalhos proto-capitalistas”… Talvez
      reuni-los a todos no Campo Pequeno e fuzilá-los?
      Quanto aos salários de merda: os salários são ou deveriam ser
      proporcionais à capacidade produtiva de cada um. Quem produz
      pouco tem salários minimos ou de merda. Quem produz ainda
      menos (leia-se: estudantes acabados de sair da Universidade que
      ainda têm muito q aprender antes de serem produtivos) devia poder
      ter um emprego mesmo que isso fosse menos do que o limite à
      liberdade individual que é a imposição do salário mínimo.

      >O Norte da Europa? Mas já algum dos espertos esteve no Norte da
      >Europa?
      >

      Já.

      >Papaguear é o que se faz aqui.
      >

      Isso parece-me evidente pelo conteúdo do seu comentário. “Proto
      capitalista” soa-me a citação de um lugar comum debitado numa
      qualquer reunião do Partido.

      >Abolir o salário mínimo nos primeiros 3 anos? Mas há alguém seriamente
      >a propor isto?
      >

      Para além do não-argumento que é invocar a “seriedade” ou não da
      proposta, sem qualquer forma de justificação: tem algum argumento
      contra que seja fundamentado e racional? Ou está só a papaguear?

      >E acha mesmo que isto é solução para o que quer que seja? A Holanda,
      >por exemplo, tem salários destes? A Alemanha?
      >

      Esses são ricos. São ricos porque têm uma população que produz e que
      é paga em função dessa produtividade e da sua capacidade de *criação*
      de riqueza.

      >Andamos a brincar.
      >Poupem-me…
      >

      E argumentos sustentados e racionais? Há alguns?

      — MV

  7. Artur Palha

    MValente

    Um bem haja por aceitares o comentário, apesar de isto não ser um espaço democrático. Só espero é que este comentário também seja postado.

    Não vou às reuniões do partido (é fácil reduzir qualquer posição diferente a um simples repetir reuniões do partido), não tenho partido. Tenho posições políticas e económicas. Assim como tu as tens, ninguém é imune a te-las. A questão é que as minhas são diferentes das tuas. As minhas são tão do “partido” como as tuas são do “partido”.

    Outro ponto, eu não defendo uma economia capitalista no entanto, partindo da base capitalista, há o capitalismo alemão e holandês e há o português. Os dois são claramente diferentes. A tua proposta milagrosa para tornarmo-nos quais alemães é, do meu ponto de vista, completamente desprovida de qualquer sentido. Não é mais do que alimentar a mesma receita que é feita há anos em Portugal. Desde o 25 de Abril de 74 que se ouvem os nossos proto-capitalistas a queixarem-se da falta de produtividade dos nossos trabalhadores. O problema não está nos trabalhadores e isso prova-se com o facto de os portugueses no estrangeiro serem tão ou mais capazes (leia-se produtivos) que qualquer outro trabalhador do norte da Europa.

    Porquê então os baixos níveis de produtividade?

    Por uma razão muito simples. Por temos uma indústria arcaica (na sua generalidade, com raras e honrosas excepções). A nossa agricultura é um exemplo disso, quem não o vê é porque não quer ver. Olhando para a agricultura em Portugal e em Espanha há uma diferença abismal no nível de mecanização que é feito já alí ao lado. Outro exemplo: a Holanda. Como é possível que a Holanda produza mais hortículas que nós? Se já foste ao Norte da Europa (sem ser apenas para passar férias) é fácil perceber porquê. Empregam muito menos pessoas por área de terra plantada. Porque os holandeses são mais trabalhadores? Não. Porque recebem salários mais baixos? Não. Simplesmente porque têm muito mais máquinas que nós. As universidades trabalham em estreita ligação com as empresas. E portanto inovam e desenvolvem tecnologicamente o sector.

    Outro exemplo. Portugal há mais de 10 anos desenvolveu um dos melhores colectores solares térmicos disponíveis no mercado na altura e ainda hoje em dia capaz de competir com os melhores. O que aconteceu? Não houve capitalistas que investissem nessa tecnologia.

    Podes dizer o que quiseres mas não é com reduções de contribuições à segurança social que se vai lá. Não é abolindo o salário mínimo que se vai lá. Nunca ouviste dizer que se pagas amendoins tens macacos? Se se querem empresas competitivas, produtivas há que investir seriamente, quer em meios de produção (máquinas) quer em mão de obra qualificada ou com potencial de qualificação. Achas aceitável uma empresa pagar menos de 410 euros por mês a um licenciado? Mesmo recém licenciado? É pouco produtivo? Um recém licenciado na Alemanha (que se recusa a trabalhar por menos de 3500 euros brutos mensais) sabe mais que um português? Ou as empresas alemãs (os capitalistas alemães) são melhores que os nossos?

    Nós temos dos salários mais baixos da Europa e da produtividades mais baixas da Europa e continua-se a insistir que o problema está nos salários?

    Só para rematar:

    >Quem produz ainda
    >menos (leia-se: estudantes acabados de sair da Universidade que
    >ainda têm muito q aprender antes de serem produtivos) devia poder
    >ter um emprego mesmo que isso fosse menos do que o limite à
    >liberdade individual que é a imposição do salário mínimo.

    Estarei a interpretar mal ou estás a colocar as empresas como instituições de beneficência que aceitam dar emprego às pessoas? É precisamente esta ideia que está cristalizada nas mentes dos nossos proto-capitalistas e que faz-nos andar nesta espiral decrescente. Onde é que está o investimento no chamado capital humano? Um licenciado vale menos de 410 euros por mês? Até mesmo alguém com o 9 ano e inexperiente produz muito mais que isso num mês (se lhe derem as máquinas adequadas, claro).

    Dizes que já foste ao norte da Europa mas sinceramente não me parece, os exemplos de empresas que pagam (e bem) por recém licenciados e a simples possibilidade de terem alguém tábua rasa, mas qualificado, capaz de aprender os métodos e técnicas de uma empresa, são imensos.

    O problema português é precisamente o Estado não interferir seriamente na economia como, aliás foi feita nos vários países desenvolvidos do norte da Europa, ou esquecemo-nos todos do plano Marshal e do que isso implicou?

    Em traços gerais. Há que definir sectores chave, sejam eles quais forem: energia, microtecnologias, biotecnologias, agricultura, etc.. Depois fazer apostas concertadas guiadas pelo Estado. Criar empresas nacionais (que eventualmente possam ser vendidas ao sector privado, mas com contratos muito bem definidos e vantajosos para o Estado, ou seja, para a população em geral). Fazer investimentos nas universidades para que haja um reforço de investigação nesses sectores. Não se pode dar de mão beijada a uma série de pessoas, simplemente porque se dizem empreendedores.

    • >A questão é que as minhas são diferentes das tuas. As minhas
      >são tão do “partido” como as tuas são do “partido”.
      >

      Bem, no meu caso não há partido nenhum que as represente, em
      Portugal só há partidos socialistas/colectivistas.
      Mas obviamente cada um tem direito às suas ideias. Convém é
      sustenta-las com argumentos. E não recitando lugares comuns.

      >Outro ponto, eu não defendo uma economia capitalista no entanto,
      >partindo da base capitalista, há o capitalismo alemão e holandês e
      > há o português.
      >

      Todos os que referes não são verdadeiramente sistemas capitalistas
      mas sim sistemas mistos.

      >O problema não está nos trabalhadores e isso prova-se com o facto de
      >os portugueses no estrangeiro serem tão ou mais capazes (leia-se produtivos)
      >que qualquer outro trabalhador do norte da Europa.
      >

      Concordo em absoluto. O problema de Portugal está nos processo e na
      organização. Mas não é possível inverter a realidade: para se distribuir
      riqueza primeiro é preciso produzi-la. Mais uma medida: eliminar o IRC
      e obrigar as empresas a distribui-lo por todos os empregados de forma
      indiscriminada.

      Porquê então os baixos níveis de produtividade?

      >A nossa agricultura é um exemplo disso, quem não o vê é porque não quer ver.
      >

      A agricultura em Portugal neste momento é o resultado da Politica Agricola
      Comum, de subsidios, de trabalhadores com baixa produtividade.

      >Porque recebem salários mais baixos? Não. Simplesmente porque têm
      >muito mais máquinas que nós.
      >

      Pois. E com mais máquinas produz-se mais. Produz-se mais riqueza. Que
      pode ser distribuida por menos pessoas, que foram substituidas por maquinas.
      Donde decorre que os salários são mais altos.

      A questão é: e quem tem coragem para assumir perdas de postos de trabalho? Por
      serem substituidos por maquinas? Ninguem. Resultado: baixa produtividade e
      baixos salários, trocados à custa de “empregos”.

      >Nunca ouviste dizer que se pagas amendoins tens macacos?
      >

      Por outro lado, se tenho macacos não lhes posso pagar com bifes do lombo.

      >Se se querem empresas competitivas, produtivas há que investir seriamente,
      >

      Quem investe?

      >Achas aceitável uma empresa pagar menos de 410 euros
      >por mês a um licenciado? Mesmo recém licenciado? É pouco produtivo?
      >

      Precisamente. Não produz a riqueza suficiente que justifique pagar-lhe mais. Só
      depois de adquirir experiencia é que é capaz de contribuir para a produção de riqueza
      e é que tem direito a partilhar da mesma.

      >Um recém licenciado na Alemanha (que se recusa a trabalhar por menos de 3500 euros
      > brutos mensais) sabe mais que um português? Ou as empresas alemãs (os capitalistas
      > alemães) são melhores que os nossos?
      >

      A Alemanha já é (mais) rica. Já produz mais riqueza. Já tem trabalhadores
      produtivos. Já pode portanto distribuir riqueza. Mas fez um caminho para lá
      chegar. Não dá para inverter a realidade. Não dá para chegar ao fim do caminho
      sem passar o caminho das pedras. Um gajo bebe uma cerveja e depois mija; não
      dá para mijar e esperar que apareça cerveja.

      >Nós temos dos salários mais baixos da Europa e da produtividades mais baixas
      > da Europa e continua-se a insistir que o problema está nos salários?
      >

      O problema não está nos salários. Também não está na produtividade. Estão
      os dois sem problema nenhum, estando ajustados um ao outro. Onde é que se
      começa para resolver esse ajuste? Pagam-se salários altos depois de haver uma
      produtividade alta? É a minha opinião. Ou pagam-se salários altos à espera que
      haja a produtividade correspondente? É a tua opinião. Irrealista, a tentar inverter
      a realidade. Mais tens direito à mesma.

      Na minha opinião a Lua é feita de queijo. Sublinhe e comente a palavra “queijo”.

      >Estarei a interpretar mal ou estás a colocar as empresas como instituições
      >de beneficência que aceitam dar emprego às pessoas?
      >

      Não, estou a colocar as empresas que apenas aceitam ou deviam
      aceitar dar emprego a quem o merece.

      >Onde é que está o investimento no chamado capital humano?
      >

      Mede-se em quê esse “capital humano”? Na tua opinião, claro. Eu pessoalmente
      meço-o em facturação, lucros e capacidade de criar riqueza.

      >Um licenciado vale menos de 410 euros por mês?
      >

      No primeiro ano acabado de sair da Universidade? Sim.

      >Até mesmo alguém com o 9 ano e inexperiente produz muito
      > mais que isso num mês (se lhe derem as máquinas adequadas,
      >claro).
      >

      Então merece ganhar mais e tem de ganhar mais. Mas não por
      imposição de um salário mínimo.

      O teu comentario apenas reforça a minha resposta anterior: há por
      aí muita gente com o 9º ou o 10º ou o 12º ano ou a 4ª classe que produz,
      ganha e merece ganhar mais do que muito “Dr” recem licenciado.

      >Dizes que já foste ao norte da Europa mas sinceramente não me parece,
      >os exemplos de empresas que pagam (e bem) por recém licenciados e a
      >simples possibilidade de terem alguém tábua rasa, mas qualificado, capaz
      >de aprender os métodos e técnicas de uma empresa, são imensos.
      >

      Podem pagar mais a recem licenciados porque já têm produtividade e
      já produziram riqueza para a poderem distribuir. Não dá para inverter
      a realidade. Nesses países os salários são mais altos porque há mais
      produtividade e mais produção de riqueza. Não é o contrário: não são os
      salários mais altos que levam a mais produtividade.

      >O problema português é precisamente o Estado não interferir seriamente na economia
      >

      Ai não interefere o suficiente? Muito bem.

      > como, aliás foi feita nos vários países desenvolvidos do norte da Europa, ou esquecemo-nos
      > todos do plano Marshal e do que isso implicou?
      >

      O plano Marshall? Aquele que foi pago pelos americanos, quando a América ainda
      era capitalista? Aquele que foi pago com o dinheiro dos americanos que tinham capacidade
      de trabalho e de produção de riqueza, mesmo sendo uma cambada de “selvagens” com leis
      que permitem o despedimento fácil?

      >Em traços gerais. Há que definir sectores chave, sejam eles quais forem: energia, microtecnologias,
      > biotecnologias, agricultura, etc..
      >

      Quem define? Como define?

      >Depois fazer apostas concertadas guiadas pelo Estado.
      >

      Porquê? O que é que o Estado tem a ver com iniciativas?

      >Criar empresas nacionais
      >

      Quem cria? O Estado?

      >(que eventualmente possam ser vendidas ao sector privado, mas com contratos
      > muito bem definidos e vantajosos para o Estado,
      >

      E não era mais simples passar logo à fase do sector privado? O Estado
      é grande e ineficiente no uso do capital.

      >ou seja, para a população em geral).
      >

      Porquê? Porque é que a população em geral tem de beneficiar do
      meu trabalho e do trabalho dos meus colaboradores e empregados?

      >Fazer investimentos nas universidades para que haja um reforço de investigação
      > nesses sectores.
      >

      Quais sectores? Quem faz o investimento? De onde vem o dinheiro? Ah, das
      empresas. Então era mais fácil deixar para as empresas o investimento nas
      Universidades.

      >Não se pode dar de mão beijada a uma série de pessoas, simplemente porque
      >se dizem empreendedores.
      >

      Pois, é preferivel dá-lo de mão beijada a falsos banqueiros e falsos capitalistas,
      que esperam que o Estado lhes safe o canastro. É preferível dá-lo a empresas
      estatais que gastam muito e prestam mau serviço. É preferível dá-lo de mão
      beijada a partidos e políticos que pouco ou nada fazem porque pouco ou nada
      fizeram de produtivo.

      — MV

      • Artur Palha

        MValente,

        Não faz sentido defender que dá-se salários altos e isso dá produtividade alta automaticamente. Não é isso que estou a dizer. Como também não é o que dizes: como não se tem produtividade pagam-se salários baixos. Pagar salários baixos não vai aumentar a nossa produtividade. Há que fazer algo mais e é precisamente isso que estou a dizer.

        Há que desenvolver tecnologicamente e indusstrializar o país. Para isso é preciso investir seriamente em capital humano e sim isso implica pagar bons salários. Implica fazer investimentos de longo prazo.

        Outro ponto, a automatização do trabalho, só em mentes com cifrões em cada olho, é que implica desemprego. Aí está a nossa visão antagónica da sociedade. A economia, ou as relações de produção que existem, não existe para gerar dinheiro. Isso é um objectivo vazio. O objectivo da produção é satisfazer as necessidades das populações. Se retiras isso tens aberrações, do meu ponto de vista, que é: “quem não trabalha que morra à fome” e outras similares. A automatização tem, como objectivo último, para mim, a redução do trabalho humano.

        Agora não encontro onde tu disseste isto, mas disseste algo como o objectivo das empresas é fazer dinheiro. O problema em certos casos (muitos do meu ponto de vista) é precisamente isso. Fazer dinheiro e fazê-lo o mais rapidamente possível. Portanto porquê fazer investimentos a 20 anos em processos de industrialização quando posso comprar um terreno, fazer um centro comercial e em 5 anos ter um retorno de 200%? Por isto é que considero que não podem ser uns capitalistas (ou empreendedores como tu lhes chamas) que irão fazer o desenvolvimento do nosso país. Há anos que andamos nisto e não saímos do mesmo. E quando falei do plano Marshall falei das medidas e das iniciativas levadas a cabo pelos governos do norte no que respeita à aplicação dos fundos que vieram. Não foram dados aleatoriamente e, por obra e graça do espírito santo (ou da mão invisível) fez-se uma VW, uma BMW, uma Siemens, uma Volvo.

        Outra coisa. Dizes isto:

        >>Que tal proibir os donativos de empresas a partidos?
        >>

        >Sim. Vamos limitar a liberdade dos donos das empresas. Vamos fazer
        >depender os partidos de financiamento público, para se garantir que o
        >sistema ficará para sempre na mesma, com os mesmos partidos. Vamos
        >obrigar os portugueses a sustentar partidos com os quais discordam em
        >termos de ideias! Vamos obrigar todos os Portugueses a sustentar o PNR;
        >isso sim, é liberdade.

        Abres muito a boca para falar de liberdade. Mas que liberdade é esta? A liberdade de quem tem mais dinheiro? Se tens mais dinheiro e tens mais empresas a sustentarem-te pagas mais cartazes, mais tempo de antena, mais jornais, mais comícios. Isso é mais liberdade? Mais democracia? E que tal dar apenas uma flat rate para todos os partidos e que as campanhas só possam ser feitas a título de voluntariado, sem passarem na tv? Sem cartazes? Não seria isso mais democrático? Há estudos feitos nos EUA sobre isso e a implicação que a mudança de um sistema como o que eu disse agora e o que existe agora tem na dita democracia e no status quo que é o sistema bipartido.

        Finalmente, para terminar.

        >Quais sectores? Quem faz o investimento? De onde vem o dinheiro? Ah, das
        >empresas. Então era mais fácil deixar para as empresas o investimento nas
        >Universidades.

        Isto é falso. Está mais que comprovado que as empresas não fazem investigação de ponta. Fazem implementação de tecnologia desenvolvida em Universidades. Faz parte do nosso sistema. E até dou isso de mão beijada. Se é para ser capitalismo ao menos bem feito. O Estado (todos nós) corremos o risco do desenvolvimento tecnológico que é feito nas universidades. Depois, quando 1 em 1000 dá resultados, vende-se a quem o queira implementar e esse 1 paga os 1000. Podes ver isso nos EUA, a grande maioria das grande inovações em termos de processos de fabrico, produtos novos, foram feitas ou no projecto espacial da NASA, ou no MIT ou em outra meia dúzia de organizações governamentais. É uma falácia o que dizes.

  8. Eu acho que algumas medidas aqui são interessantes, porém não estou totalmente de acordo que hajam medidas excepcionais (fiscais ou laborais) para empresas novas relativamente a empresas já implementadas no mercado.

    O risco de inovação é igual para todos. Se vamos implementar a ideia de distribuir vinho tinto nas empresas, o risco é o mesmo para uma empresa a criar, e para uma empresa de 1987.

    Todas as medidas me causam a sensação de concorrência desleal.

    A não produtividade dos recém-licenciados é igual para os dois.

    Há duas coisas a meu ver importantes:

    O subsídio de desemprego para os gerentes, uma das razões que já me comunicaram para não arriscar, é o facto de perder “o direito” ao subsídio de desemprego caso alguma coisa corra mal.

    Não concordo com a medida de abolição do salário minímo por si só: A empresa deve ter um papel social e suportar o acolhimento do trabalhador, na minha opinião.

    Acho, mais sensato o “primeiro-empregado” ser obrigado a ficar 2 anos após o primeiro ano na empresa, caso o empregador o deseje, ou devolver 50% do vencimento que recebeu a título de formação; e isenção total de IRS e Segurança Social (total) desse vencimento, sem tretas de efectividade e nível de emprego.

    Os pagamentos antecipados deviam acabar todos (PEC E PC).

    O IVA devia ser no recibo para todos.

    É certo que o nosso Estado sufoca isto tudo, mas discordo totalmente com as regras especiais para novas empresas, e as mais antigas que já sustentam isto e garantem empregos continuem sobrecarregados.

    O capital é todo igual, seja investido numa nova empresa, seja para financiar um novo projecto numa velha empresa.

    • >O risco de inovação é igual para todos. Se vamos implementar a ideia
      > de distribuir vinho tinto nas empresas, o risco é o mesmo para uma empresa
      >a criar, e para uma empresa de 1987.
      >

      Não é. O risco é maior numa empresa recente e pequena. Faz as contas.

      >A não produtividade dos recém-licenciados é igual para os dois.
      >

      Não é. Uma empresa grande pode contratar um recem licenciado e
      arcar com os custos sociais porque já tem uma base instalada e facturacoes
      e lucros correspondentes. Os mesmos custos sociais prejudicam muito mais
      uma empresa recente e pequena que não pode beneficiar dos custos de escala.

      >Não concordo com a medida de abolição do salário minímo por si só: A
      > empresa deve ter um papel social e suportar o acolhimento do trabalhador, na minha opinião.
      >

      Chama-se a isso “salário”. Correspondente à produtividade. Não
      vejo como é que salário minimo leva a um “papel social” (que a empresa
      já tem, uma vez que paga a Segurança Social). “Suportar o acolhimento
      do trabalhador” é algo que nem sequer vou tentar perceber ou comentar.

      >Acho, mais sensato o “primeiro-empregado” ser obrigado a ficar 2 anos
      >após o primeiro ano na empresa, caso o empregador o deseje, ou
      >

      Preso, portanto? Escravo? Medida tipicamente socialista, limitadora
      da liberdade individual.

      >Os pagamentos antecipados deviam acabar todos (PEC E PC).
      >

      Right.

      >O IVA devia ser no recibo para todos.
      >

      Right.

      >É certo que o nosso Estado sufoca isto tudo, mas discordo totalmente
      >com as regras especiais para novas empresas,
      >

      Tás a ver a historinha do “as crianças são o futuro”? As novas empresas
      são as grandes de amanhã. Não vão haver nenhumas se a taxa de abortos
      for muito elevada.

      >e as mais antigas que já sustentam isto e garantem empregos
      > continuem sobrecarregados.
      >

      Pura falácia. As grandes não garantem empregos nenhuns, têm
      vindo a perder empregos. A maior parte dos empregos são criados
      por pequenas e médias empresas. A partir do momento em que uma
      empresa já é adulta, já produz, pode muito bem (e deve) suportar os
      custos sociais.

      >O capital é todo igual, seja investido numa nova empresa, seja para
      > financiar um novo projecto numa velha empresa.
      >

      Não, não é. A quantidade de capital investida num projecto
      novo ou numa empresa nova corre mais risco e por isso exige mais
      remuneração. Para além disso incorre (no caso de uma empresa nova)
      numa incidencia fiscal (ie. custos) maior do que no caso de uma
      empresa instalada.

      — MV

      • Não vou voltar a insistir no que custa a uns ou a outros. Para mim um investimento de 1000 Euros é o mesmo para uma nova ou uma velha. Se tem estrutura e beneficia de economia de escala, foi porque a construiu.

        Relativamente aos restantes comentários:

        Quanto ao acolhimento do trabalhador, a expressão não foi feliz, referia-me a todos os custos que são “invisíveis” para os trabalhadores: Secretária, cadeira, espaço, pc, electricidade, tempo que os outros perdem a formar, avaliar, licenças de software, etc. etc. Uma empresa velha pode incorrer em menos despesas para assegurar isto, mas não é por isso que uma start up deve ter mais benefícios ao emprego.

        A minha proposta dos dois anos de obrigatoriedade não tem nada de socialista. Aliás nem é assim tão diferente da tua. Qualquer trabalhador pode sair, devolvendo metade do que ganhou a título de formação ou se preferires do que ainda não produziu.

        Se achas viável que uma empresa não cumpra as obrigações fiscais, diferindo-as para quando tiver estrutura, porque é que não admites que um empregado possa produzir mais tarde quando tiver capacidade para isso?

        Ter pessoas a receber menos do que o ordenado mínimo, iria destruir ainda mais a sociedade e nessas condições seria uma minoria os jovens motivados para produzir e crescer bem.

        Eu não sou adepto dessa obrigação, mas neste momento 500 euros é o mínimo para alguém poder viver e estar bem para produzir e evoluir numa empresa.

        Prefiro contratar alguém que fique alguns anos a receber já 1000 euros, do que andar a dar esmolas de 150 euros. Claro que isso só funciona com obrigação, mas não é um pensamento socialista. Também sei que ter um empregado contrariado dois anos não funciona, mas aí, era mais um risco para a empresa.

        “A quantidade de capital investida num projecto
        novo ou numa empresa nova corre mais risco e por isso exige mais remuneração”

        E tem de ser o Estado a suportar essa remuneração? Ou os salários baixos?

  9. No mundo da gestão gostam muito do “brainstorming”. Palavra inglesa que indica dar montes de ideias estupidas até aparecer alguma de jeito.
    Mas para o brainstorming convém haver muito mais pessoas para haver muito mais ideias e massa crítica para se poder filtrar as ideias descabidas.
    Só posso encarar isso como BrainStorming, pois não me acredito que um professor da universidade católica tenha tido ideias destas após pensar algum tempo.
    Vou atirar com algumas minhas…
    Que tal voltar a fechar as fronteiras e bloquear (ou tributar fortemente) a entrada a produtos de paises que não cumpram as mesmas normas sociais e ecológicas exigidas na Europa?
    Que tal proibir os offshores na Madeira e tributar fortemente a saida de divisas para offshores?
    Que tal não permitir reformas superiores a 1700€ como na Suiça e não permitir acumulação de reformas?
    Que tal proibir os donativos de empresas a partidos?
    Que tal aumentar a fiscalização, não permitir entrega de presentes pelas empresas aos funcionários publicos, colocar a justiça a funcionar e finalmente punir a corrupção?
    Que tal não permitir que um empresário com mais de 3 falencias abra outra empresa?

    Já agora só mais umas perguntas. Quem não é produtivo por doença, idade, qualquer outro motivo lovável, ou mesmo preguiça morre à fome? Será que a nossa sociedade que produz mais que precisa não nos consegue sustentar a todos? E nesse caso o que fazemos com as pessoas nessa situação? Colocamos-las no Campo Pequeno?

  10. Sidenote: A Alemanha não tem salário mínimo.

    Baixar os impostos é sempre positivo para a iniciativa privada/individual. A nossa carga fiscal é demasiado alta para os benefícios que temos em troca (fraca justiça, saúde, educação, etc.), o dinheiro é mal gerido.
    Diminuir ou excluir o salário mínimo obrigatório não me parece que traga nenhum benefício visto ele já ser demasiado baixo. Para as empresas é preferível diminuirem a despesa do lado dos impostos para conseguirem ofereçer salários minimamente dignos e ter os trabalhadores minimamente motivados.

  11. >No mundo da gestão gostam muito do “brainstorming”.
    >

    Não sei o que é isso do “mundo da gestão”. Se se refere aos teóricos
    da gestão que por aí abundam, percebo. Se me pretende incluir nesse
    grupo claramente está a tentar ter uma ideia estupida a ver se ela cola
    apenas demonstrando que não sabe do que e de quem está a falar.

    >Mas para o brainstorming convém haver muito mais pessoas para haver
    >muito mais ideias e massa crítica para se poder filtrar as ideias descabidas.
    >

    Tem algum argumento racional para suportar a insinuação de que as
    minhas ideias são descabidas? Ou no meu caso também basta dizer que
    existe muita gente com ideias estúpidas, insinuando que é o seu caso?

    >Só posso encarar isso como BrainStorming, pois não me acredito que um
    >professor da universidade católica tenha tido ideias destas após pensar algum
    > tempo.
    >

    Tem algum argumento racional sem ser invocar uma pretensa
    verdade absoluta e fazer um ataque ad hominem? Ou eu também
    posso concluir que os comentadores deste artigo que se chamam
    Vitor não sejam capazes de distinguir a fantasia da realidade? (tá
    a ver a insinuação à socapa que o seu estado mental é duvidoso? é
    o que se chama um ataque ad hominem)

    >Que tal voltar a fechar as fronteiras e bloquear (ou tributar fortemente) a
    > entrada a produtos de paises que não cumpram as mesmas normas sociais
    > e ecológicas exigidas na Europa?
    >

    Sim, boa ideia! Passaremos a ter uma qualidade de vida tão grande quanto
    na Coreia do Norte ou em Cuba! Vamos proteger os empregos e produtos
    portugueses, mesmo que tenham má qualidade ou sejam caros, e impedir
    a vinda de produtos e pessoas melhores. Da China, por exemplo. Vamos ser
    socialistas para com os conterraneos nacionais e lixar os cidadãos de países
    pobres que vivem com menos de 1 Euro por dia e que podiam ter uma oportunidade
    para ganhar mais produzindo e exportando para fora! Isso sim, é que é ser
    humanista e social!
    Vamos criar as condições para que logo de seguida, os principais compradores de
    produtos portugueses fechem também as suas fronteiras e assim podemos produzir
    vinho e azeite suficiente para que fiquem só nossos e assim podemos tomar banho neles.

    O casamento do nacionalismo e do socialismo tem um nome: nazismo.

    >Que tal proibir os offshores na Madeira e tributar fortemente a saida de
    > divisas para offshores?
    >

    Sim! Tributar à saída e, em consequência, impedir à entrada! Abaixo os
    capitais estrangeiros! Vamos voltar ao escudo! Não! Melhor! Vamos voltar
    ao real!

    >Que tal não permitir reformas superiores a 1700€ como na Suiça e não
    > permitir acumulação de reformas?
    >

    Ah! Finalmente uma boa ideia. No meio de tanto brainstorming alguma
    havia de aparecer.

    >Que tal proibir os donativos de empresas a partidos?
    >

    Sim. Vamos limitar a liberdade dos donos das empresas. Vamos fazer
    depender os partidos de financiamento público, para se garantir que o
    sistema ficará para sempre na mesma, com os mesmos partidos. Vamos
    obrigar os portugueses a sustentar partidos com os quais discordam em
    termos de ideias! Vamos obrigar todos os Portugueses a sustentar o PNR;
    isso sim, é liberdade.

    >Que tal aumentar a fiscalização, não permitir entrega de presentes pelas
    >empresas aos funcionários publicos,
    >

    Algo que já é lei. Acho que devo ter sido o único tonto a obrigar que
    ela fosse cumprida.

    >colocar a justiça a funcionar e finalmente punir a corrupção?
    >

    Como se pôe a Justiça a funcionar? Ideias? Ou é só “façam”?

    Uma coisa é certa: a Justiça é uma das únicas justificações morais
    para a existencia de um Estado.

    http://mvalente.eu/Files/Discurso%20Posse%20ITIJ.pdf

    Se o Estado saísse de onde não devia estar (saude, educacao, fábricas
    de cerveja, postos de gasolina, etc) se calhar podia mais facilmente prestar
    um serviço de jeito na Justiça.

    >Que tal não permitir que um empresário com mais de 3 falencias
    > abra outra empresa?
    >

    Que tal prender quem se prove ter aberto uma falência falsa em vez de
    penalizar quem tenta e falha ou quem quer tentar?

    >Quem não é produtivo por doença, idade, qualquer outro motivo lovável,
    >ou mesmo preguiça morre à fome?
    >

    Por preguiça, sim, deve morrer. Não no sentido de que deve ser morto. Mas
    no sentido de que se não lhe apetece fazer o suficiente (preguiçoso) para comer
    então não lhe apetece viver.
    Nos outros casos é para isso que existem as famílias, as instituições de solidariedade
    e inclusive a Segurança Social.

    >Será que a nossa sociedade que produz mais que precisa não nos consegue
    > sustentar a todos?
    >

    A sociedade ou as pessoas que produzem mais do que precisam podem
    com certeza sustentar mais pessoas. Vide o caso de porcos capitalistas como
    Bill Gates, Warren Buffet ou Antonio Champalimaud. Mas uma coisa é a
    decisão de cada um em sustentar quem quer. Outra coisa é a obrigatoriedade
    de sustentar quem quer que seja. Por exemplo: não o conheço de nenhum lado
    portanto não tenho nem quero ter de o sustentar. Se a sociedade produz mais do
    que precisa de certeza que encontra alguém que conheça que esteja na disposição
    de o fazer.

    >E nesse caso o que fazemos com as pessoas nessa situação? Colocamos-las no
    > Campo Pequeno?
    >

    Deixamos que o bom coração e a caridade das pessoas, organizações e
    instituições funcione e essas pessoas sejam ajudadas. Obrigar a que elas sejam
    obrigatoriamente ajudadas por todos não só é um ataque à liberdade individual
    de cada um (ie. escolher ajudar quem quer) como é também uma triste concepção
    de sociedade: toda a gente é má, ninguém quer ajudar ninguém e as pessoas têm
    de ser obrigadas a ser “boas”.

    — MV

    • 1º Nunca pretendi atacar o homem! Ataquei ideias que considerei terem sido lançadas sem pensar muito.
      Mas tal como voce disse o problema é que não o conheço e tive alguma boa fé ao pensar que ao menos pensava em cumprir os direitos fundamentais de qualquer pessoa.
      Não consigo discutir com quem escreve “Por preguiça, sim, deve morrer. ” .
      Eu juntei uma ideia nacionalista a várias socialistas e fui imediatamente acusado de ideias nacional-socialistas (nazismo).
      No seu discurso vejo várias ideias e no contexto global um verdadeiro discurso nacional-socialista. Uma já apontei. É preciso apontar as outras? Refiro que uma das ideias bases do nacional-socialismo é a sobrivivência do mais forte.

      Deixo a seguir alguns excertos da declaração universal dos Direitos Humanos e também da apresentação da Universidade Católica feita pelo seu reitor (Professor Doutor Braga da Cruz) na qual é indicado que a Universidade Católica é portadora de uma visão cristã do mundo. Que eu saiba a visão cristã defende a vida humana acima de tudo, logo não me parece que estas suas declarações sejam congruentes com esse espirito.

      Excertos da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

      Artigo III

      Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

      Artigo XXII

      Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

      Artigo XXV

      1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

      Artigo XXVI

      1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.

      Retirado de:
      http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm

      Apresentação da Universidade Católica:

      A Universidade Católica Portuguesa é uma Universidade com identidade própria, portadora de uma visão cristã do mundo e do homem, que se reclama de valores que decorrem dessa mundividência.

      Retirado de:
      http://www.ucp.pt/site/custom/template/ucptplportalpag.asp?sspageID=5&lang=1

      • >Eu juntei uma ideia nacionalista a várias socialistas e fui
        >imediatamente acusado de ideias nacional-socialistas (nazismo).
        >
        Acusado? Não. Apontado como um. Nacionalismo+Socialismo=Nazi

        “Nazism (Nationalsozialismus, National Socialism; alternatively spelled Naziism”
        http://en.wikipedia.org/wiki/Nazism

        >No seu discurso vejo várias ideias e no contexto global um verdadeiro
        >discurso nacional-socialista. Uma já apontei. É preciso apontar as outras?
        >Refiro que uma das ideias bases do nacional-socialismo é a sobrivivência do mais forte.
        >

        Os seus conceitos estão seriamente equivocados. Uma filosofia socialista/colectivista
        de forma alguma sustenta o primado do individuo. Para além dos conceitos politicos
        terá tambem de rever os seus conceitos filosoficos.

        >apresentação da Universidade Católica feita pelo seu reitor (Professor Doutor
        >Braga da Cruz) na qual é indicado que a Universidade Católica é portadora de
        > uma visão cristã do mundo. Que eu saiba a visão cristã defende a vida humana
        >acima de tudo, logo não me parece que estas suas declarações sejam congruentes
        > com esse espirito

        São perfeitamente congruentes. “Defende a vida humana acima de tudo”. Logo
        não defende o sacrificio do individuo ao “todo social”. É por isso que o suicidio
        é considerado pecado. E um individuo entregar os seus direitos individuais à
        sociedade e a um Estado, para o bem do todo, é equivalente ao suicidio: quem o
        faz ou o aceita não tem respeito pela sua propria vida.

        — MV

      • >Quem não é produtivo por doença, idade, qualquer outro motivo lovável,
        >ou mesmo preguiça morre à fome?
        >

        Adicionalmente: quem não quer ser produtivo por preguiça é equivalente a dizer que não quer fazer o minimamente necessário para comer. O que equivalente a suicidio. Um pecado perante a Igreja Catolica.

        Mais: a preguiça é um dos sete pecados.

        Quem não quer ser produtivo por preguiça, incorrendo em dois pecados, o do suicidio e o da preguiça em si, não vive obviamente a partir dos principios da Igreja Catolica.

        O oposto, querer viver e querer trabalhar e ser produtivo, principios individualistas, estão perfeitamente de acordo com a Igreja Catolica.

        — MV

  12. >Há que fazer algo mais e é precisamente isso que estou a dizer.
    >

    O quê? Não há resposta.

    >Há que desenvolver tecnologicamente e indusstrializar o país.
    >

    Como? Não há resposta.

    >Para isso é preciso investir seriamente em capital humano e sim
    > isso implica pagar bons salários. Implica fazer investimentos de
    >longo prazo.
    >

    Quem paga? Com o dinheiro de quem? Não há resposta.

    >A economia, ou as relações de produção que existem, não existe para gerar dinheiro.
    >

    Pois não. A economia e os mercados existem para que a as pessoas e
    os individuos possam, de livre vontade, interagir, colaborar e trocar
    capacidades. A forma de troca chama-se: dinheiro. Se tiveres outra coisa
    para propor que me permita a mim e a ti aliar-mos e trocar-mos valor, diz.
    Abraços e beijinhos não que não dá para pagar na mercearia.

    >Isso é um objectivo vazio. O objectivo da produção é satisfazer as
    >necessidades das populações.
    >

    Não. O objectivo da produção é satisfazer a vontade do individuo que
    cria e a necessidade do individuo que consume. As populações não
    têm necessidades; quem as tem é o individuo.

    > Por isto é que considero que não podem ser uns capitalistas (ou
    >empreendedores como tu lhes chamas) que irão fazer o desenvolvimento
    >do nosso país.
    >

    Quem vais ser então? Que exempos temos em que isso não tenha
    acontecido e o desenvolvimento tenha vindo de outro lado?

    >Abres muito a boca para falar de liberdade. Mas que liberdade é
    >esta?

    A liberdade de cada individuo usufruir da riqueza que cria da maneira
    que mais lhe aprouver, sem lhe ser roubada uma parte sob ameaça de
    armas para depois a distribuir a quem não produz. Se alguem não tem
    liberdade por falta de dinheiro, não me compete a mim dar-lhe esse
    dinheiro; a imposição disso retira-me liberdade a mim.

    >A liberdade de quem tem mais dinheiro?
    >

    Precisamente.

    >Se tens mais dinheiro e tens mais empresas a sustentarem-te pagas mais cartazes, mais tempo de >antena, mais jornais, mais comícios. Isso é mais liberdade? Mais democracia? E que tal dar >apenas uma flat rate para todos os partidos e que as campanhas só possam ser feitas a título de >voluntariado, sem passarem na tv?
    >

    E que tal remeter os partidos a um estatuto de associação recreativa e
    cultural, eliminar o monopólio dos mesmos sobre a democracia e o
    parlamento, e passar a eleger cidadãos individuais em circulos uninominais?

    — MV

  13. Ricardo Ramalho

    Você é um Liberal puro. Não concordo com a sua visão da sociedade, desculpe-me.

    Acredito que o Estado tem que estar em todo o lado, e que tem que ser omnipresente – mais do que isso, acredito que até se possa perder em produtividade/eficiência à conta disso, mas é um trade-off que aceitaria com todo o gosto. Você ainda num comentário anterior fala que o Estado não deveria estar na saúde, na educação, etc. Discordo, acho que são funções vitais do Estado.

    A saúde como negócio é uma palhaçada! Vão haver franjas da população sem acesso a certos tipos de cuidados de saúde porque não são rentáveis. E isso é simples e puramente inaceitável. O Estado tem que estar presente – ponto! Aliás… A saúde, infelizmente, já é um negócio. E bem sujo por sinal…

    A liberdade individual tem que estar abaixo do colectivo, i.e., interessa mais o todo que as partes. Faz-me confusão alguém que pense ao contrário, mas pronto… Cada um pensa o que quer, faz parte da Democracia.

    Posto isto, não acredito nas suas “radicais medidas”. Não que saiba contrapor, ou que tenha competência técnica para sustentar o “porquê” de não concordar, que não tenho.

    Só me faz confusão a não existência de um patamar mínimo para salário. Parece-me estúpido, e a noção de investimento para mim é ter prejuízo nos primeiros anos e depois colher os louros. E só é empresário que quer e pode. E se não pode, que arranje outro meio de subsistência. Uma empresa não é apenas uma máquina de fazer lucros, é também uma forma de responsabilização social. Encarar a empresa apenas como uma mera máquina de fazer números é estúpido, no meu ponto de vista, que admito possa ser naive.

    Mas quanto ao não pagar os impostos quando não há lucros acima de um patamar, também acho que o “ataque dos chicos espertos” dispararia. E para não disparar, era preciso acabar com o sigilo bancário, e ter um sistema de justiça que simplesmente funcionasse.

    Mas eu não percebo nada de economia. Só acho que o foco devem ser as pessoas e não o dinheiro.

    Cumprimentos,

  14. Olá!

    As medidas propostas parecem boas, excepto a não aplicabilidade do salário mínimo! Ganhar menos que ~ 3€/h… tem que se lhe diga!

    No entanto o problema a meu ver é que as startups especialmente se interagirem com empresas nacionais, precisam de um sistema que lhe garanta o pagamento dos serviços/bens prestados, e para isso é necessário uma justiça funcional o que não se verifica…
    Muitas vezes suspeito que algumas pequenas empresas recentes, não subsistem… porque não recebem, não por terem de pagar impostos.

    “””Se o Estado saísse de onde não devia estar (saude, educacao, fábricas
    de cerveja, postos de gasolina, etc) se calhar podia mais facilmente prestar
    um serviço de jeito na Justiça. “”””

    Pois realmente parte desta afirmação é verdadeira, o estado não faz nada em fabrica de cervejas, postos de gasolinas , etc , etc…

    No entanto na saúde, educação, justiça, segurança , não vejo alternativas. Não consigo compreender que modelo poderia garantir por exemplo na saúde e na educação um sistema equivalente e tão abrangente como ao que Portugal possui.

    Depois ainda se colocam alguns questões nas redes de transportes, e de telecomunicações, e de distribuição de correio…

    Por exemplo se a CP fosse privatizada que linhas operava? urbanos do Porto, linha sintra, linha cascais, linha norte lisboa … ???

    O resto do país não interessa basta ver o que fizeram lá para Miranda do Corvo-Lousã …

    Portugal é o país dos Auto-Estradas!

    • >Por exemplo se a CP fosse privatizada que linhas operava? urbanos >do Porto, linha sintra, linha cascais, linha norte lisboa … ???
      >

      Se calhar. O que era uma coisa boa, desde que o Estado
      estivesse disponivel para entregar as outras a entidades
      privadas.
      Eu não me importava nada de aproveitar essa oportunidade.
      Garanto que prestava um serviço melhor a preços mais baixos.

      — MV

  15. >Você é um Liberal puro.
    >

    Completamente.

    >Não concordo com a sua visão da sociedade, desculpe-me.
    >

    Está desculpado.

    >Acredito que o Estado tem que estar em todo o lado, e que tem que ser omnipresente
    >

    Assim como na USSR ou em Cuba? Ou na Alemanha Nazi? Ou no Portugal
    salazarista?
    A um Estado omnipotente corresponde um individuo impotente.

    >Você ainda num comentário anterior fala que o Estado não deveria estar na
    > saúde, na educação, etc. Discordo, acho que são funções vitais do Estado.
    >

    Mas não são. As funções vitais do Estado são a Justiça, a Polícia e a Defesa.

    >A saúde como negócio é uma palhaçada!
    >

    Claro. É por isso que quase todas as inovações na Medicina vêm
    dos EUA.

    >Vão haver franjas da população sem acesso a certos tipos de cuidados
    > de saúde porque não são rentáveis. E isso é simples e puramente inaceitável.
    >

    Porquê?

    >O Estado tem que estar presente – ponto!
    >

    Porquê?

    >Aliás… A saúde, infelizmente, já é um negócio.
    >E bem sujo por sinal…
    >

    Infelizmente a Saúde não é um negócio. É uma mistura de interesses
    de empresas que vivem à custa do Estado, de um Estado que faz mal
    o que faz e de um conjunto de lobbys que se habituaram a viver à custa
    do Estado e a roubá-lo.

    >A liberdade individual tem que estar abaixo do colectivo, i.e., interessa
    >mais o todo que as partes.
    >

    Não. Não interessa. A liberdade individual tem de estar acima da do
    colectivo. Porque senão estamos perante “mob rules”, o governo da
    multidão, o poder na rua.

    >Posto isto, não acredito nas suas “radicais medidas”.
    >Não que saiba contrapor, ou que tenha competência técnica
    >para sustentar o “porquê” de não concordar, que não tenho.
    >

    O problema é esse. Não estou a dizer que tenha de ter competencias
    tecnicas. Tem a sua opinião e o direito a ela. Mas não se compreende
    que as pessoas continuem a ter a mesma opinião quando são confrontadas
    com o falhanço dos modelos socio-democratas pós II Guerra Mundial.
    As pessoas “acham”, mas não são capazes de apresentar argumentos
    racionais; e não necessariamente técnicos. Em minha opinião isso é
    resultado de 50 ou 100 anos de propaganda socialista e, indo mais atrás,
    resultados de conceitos eticos e morais das religioes mais populares. Em
    particular o altruismo.

    >Parece-me estúpido,
    >

    Isto, claramente, não é uma critica aceitavel. É lançar um dogma, um
    lugar comum e um ataque ad hominem.

    >Uma empresa não é apenas uma máquina de fazer lucros, é também uma
    > forma de responsabilização social.
    >

    Uma empresa *é* apenas uma máquina de fazer lucros. E os individuos
    beneficiam desses lucros (com salários, dividendos, etc). Não é a sociedade
    que beneficia; são os individuos que a constituem. Quanto à responsabilização
    social: as empresas já a fazem e já a têm. Já pagam salários, impostos,
    dividendos e segurança social.

    >Encarar a empresa apenas como uma mera máquina de fazer números é estúpido,
    >

    Argumentos concretos e racionais? Há?

    >Mas quanto ao não pagar os impostos quando não há lucros
    >

    Não disse lucros, disse facturação. São coisas diferentes. Na facturação
    é bem mais dificil fazer trapaças e inventar custos tipo BMW e etc.

    > acima de um patamar, também acho que o “ataque dos chicos espertos”
    >dispararia.
    >

    Julgamento e prisão.

    >E para não disparar, era preciso acabar com o sigilo bancário, e ter um
    > sistema de justiça que simplesmente funcionasse.
    >

    Discordo do sigilo bancário. Mas quanto à Justiça: precisamente. Esse
    é o problema. O Estado faz tudo. E depois faz mal precisamente aquilo que
    devia fazer melhor. Se se retirar fundos a programas contra a droga, a pessoas
    que não querem trabalhar, a alunos que não querem estudar ea médicos que
    ganham no público e no privado, etc ficava com certeza mais dinheiro para
    fazer funcionar a Justiça.

    >Mas eu não percebo nada de economia.
    >

    Não tem de perceber. Tem é de ter argumentos racionais.

    >Só acho que o foco devem ser as
    > pessoas e não o dinheiro.
    >

    O dinheiro é uma ferramenta para que o foco sejam as pessoas.

    — MV

    • Ricardo Ramalho

      >>Vão haver franjas da população sem acesso a certos >tipos de cuidados
      >> de saúde porque não são rentáveis. E isso é simples >e puramente inaceitável.
      >>
      >
      >Porquê?
      >
      >>O Estado tem que estar presente – ponto!
      >>
      >
      >Porquê?

      Porque é inaceitável que pessoas morram por terem problemas que a saúde privada não quer tratar por não lhes dar dinheiro. Isso parece-me uma razão perfeitamente aceitável, e uma daquelas que me faz rir de um Liberal puro onde o egoísmo impera. Você fala de que as inovações vêm dos states, o que nem vou tentar discutir. No entanto, eles são dos países onde mais se morre à entrada dos hospitais. É daquelas coisas… “You got no insurance, you die”.

      Tenho pena que as pessoas só pensem na ganancia e na pura eficiência financeira. Foi esta ganancia que nos deixou neste estado…

      Mas como dizem vocês, Liberais: “Money talks, bullshit walks” não é verdade?…

      Eu sou socialista, sim. Porque acredito que uma sociedade egoísta é auto-destrutiva.

      Vou mas é trabalhar, porque se não for produtivo, ainda perco o emprego…

      • >Eu sou socialista, sim. Porque acredito que uma sociedade
        >egoísta é auto-destrutiva.
        >

        Eu sou liberal e a favor da liberdade individual porque acredito
        que uma sociedade individualista e que reconheça o primado do individuo em vez do do colectivo funcionaria melhor. Uma sociedade
        socialista, que submete o individuo ao colectivo, é uma sociedade
        que eventualmente se transforma numa sociedade autoritária e
        fascista.

        — MV

  16. Estes dois últimos comments foram muito bons. O Mário não se devia “espigar” tanto no sentido que não vale mesmo a pena responder a certas coisas mas tenho que admitir que os “comebacks” são muito divertidos.

    Quanto ao assunto em causa, infelizmente não tenho conhecimentos a estes níveis para poder dar sugestões e embora concorde com as medidas do Mário e as suas justificações, também me parece que iria haver ali um espaço para abusos, mas claro está tudo teria de ser estudado.

    penso que de tudo só há uma falha…”confiar” que somos pessoas de bem. Com isto não digo que os portugueses são pessoas de “mal” mas há uma questão cultural que não tem haver com o facto de confiar ou não.

    Há simplesmente questões culturais que fazem o povo português funcionar de uma certa forma e até uma mentalidade mais moderna se instituir, educação e algumas gerações, ainda somos um povo que está sempre à procura da saída fácil ou do esquema para enriquecer facilmente, trabalhando o menos possível.

    Não estou a categorizar negativamente (e já estou enjoado de os próprios portugueses andarem constantemente a dizer mal de nós próprios), simplesmente é um facto que tem de se gerir quando se fazem leis ou se decidem acções. As leis tem de se ajustar à realidade e não esperar que a realidade se ajuste, pelo menos do dia para a noite.

    Claro que se não houver confiança nada vai mudar, mas não se pode contar só com isso infelizmente. É impressionante o que ouço falar (ou observo) sobre gestores de empresas ou donos de empresas e as suas soluções no que diz respeito a gestão e tratamento aos empregados. E pior ainda, gestores na casa dos 30-40, novos portanto. Há tanto cobarde, tanto bandido, “patrão à antiga”, maus gestores ou mesmo sem educação ( e não estou a falar de diplomas) que me leva a pensar que a culpa de as coisas não estarem diferentes é mesmo nossa e de mentalidades instituidas pelos factores da história.

    Portanto para mim a solução reside em desenvolver leis bem estruturadas à realidade, educar as novas gerações a mudarem a mentalidade e por último agir activamente contra a corrupção. Lugares comuns eu sei , mas não tenho muitos conhecimentos nestes assuntos para me pronunciar mais.