February, 2011


18
Feb 11

Esoterica I – O Assalto

Servidores Esoterica

Servidores Esoterica

A propósito do aniversário de constituição da Esoterica vou aproveitar para ir fazendo alguns posts com historietas que aconteceram, que já andava a pensar fazer há algum tempo. Algumas revelações serão chocantes. Esta é a primeira…

A certa altura o Paulo Laureano fez meia duzia de scripts em bash (queria fazer em C, ganda maluco) que detectavam se um servidor estava em baixo e, caso estivesse, mandava uma mensagem para um pager (eu ainda sou do tempo dos pagers).

Em cada semana havia um desgraçado que ficava com o pager, encarregado de resolver qualquer problema. Ou conseguia entrar em remoto e resolver, ou então estava lixado e tinha de ir às tantas da manhã carregar no botão.

Um belo dia, estava o Paulo de plantão, e o pager deu alarme à meia noite: “Servidor de news em baixo”. O servidor de news era um filho da mãe, a luz do disco estava sempre acesa. Para além disso a maquina tinha “marteladas” a grosso, dadas pelo palerma do sysadmin (um palhaço chamado Mário Valente). Logo a seguir “Servidor de email em baixo”. Logo a seguir “Servidor FTP em baixo”. O Paulo, que no caso do servidor de news se estava a cagar, teve mesmo de ir. Felizmente morava perto.

À meia noite e meia, um quarto para a uma, liga-me: “Olha lá, mudaste os servidores de sitio?”. E eu: “Eu? Tás maluco ou quê”. Diz ele: “Então vem cá que fomos assaltados”.

Nice…

E lá fui. Tinhamos sido assaltados. Não havia um unico servidor na sala. Na nossa e em mais nenhuma do centro de escritórios que tinha sido assaltado.

Ligar à Polícia, ligar ao advogado, ligar à gestão do centro de escritórios, etc e tal.

Entretanto, eu e o Paulo começámos a fazer contas: pera aí! O pager tocou à meia noite. O Paulo (que morava perto) chegou lá à meia noite e meia e telefona-me. Os tipos não tinha tido tempo para sair com o “material”!!! Viemos para rua antes que desse asneira dentro do centro.

A Policia chega. “Oh Sô guarda, eles ainda estão no centro, não tiveram tempo de sair!!”… “Pxxx! Oh amigo, isso agora eles já vão longe”, e tal e não sei quê.

Vem a gestora do centro, vem o nosso advogado e lá se arranjou licença para entrar no centro e avaliar a situação. Meu dito meu feito: tudo o que tinha sido roubado, inclusive os nossos servidores, estava numa sala numa cave com saída para a rua de trás. A nossa sorte é que o servidor que detectava falhas e que mandava pagers foi um dos últimos a ser desligado.

O artolas do polícia ainda se pôs com merdas tipo “ninguém mexe em nada que agora vem a PJ”. Levou com uma arrochada do João Luis Traça (nosso advogado) que até chiou…

Toca de mover os servidores de volta para a sala e ligar tudo; recuperar discos e/ou reinstalar backups, uma vez que os discos tinham sido desligados à má fila; e etc e tal, às tantas da manhã. Pelas 7 da manhã estava tudo de volta online. Mandámos um email a todos os clientes: “pediamos desculpa mas a EDP tinha tido um problema na nossa zona e demorou algum tempo a repor a situação”.

E assim acontece.


1
Feb 11

Investir em Projectos ou Investir em Pessoas

Idea Production Machine

Idea Production Machine

Enquanto estava a escrever este post pus-me a pensar e ocorreu-me uma coisa…

A SeedCapital investe todos os semestres em 2 ou 3 projectos. Os investimentos situam-se entre os 15 e os 30 mil euros, dependendo do estágio do projecto.

Vamos assumir que investe em 5 projectos por ano e em cada projecto investe 15 mil euros. Contas feitas são 75 mil euros de investimento, por 5 projectos/startups.

Não seria mais eficiente contratar uma equipa de, digamos, 3 pessoas (backend engineer/programmer, frontend engineer/designer/UX, marketing and sales guy/girl) e passar a realizar projectos internos (49 ideias na lista, provavelmente nem todas são um negócio)? É evidente que as contas não são assim tão simples (IRS, SS, etc), mas mesmo assim ainda são 25 mil euros por pessoa (+- 2000 euros por mês). Já é razoavel, especialmente se, para além da remuneração garantida, tivessem também uma participação como acionistas em qualquer um dos projectos. Se se considerásse como hipotese recorrer a programadores estrangeiros (indianos, chineses, russos, etc.) o que não seria o caso, uma vez que prefeririamos trabalhar com pessoas locais, então era ainda mais atractivo.

Com uma equipa interna permanente e especializada (pronto, ninjas, rockstars, samurais, ou lá o que lhe queiram chamar) podia entrar-se em modo MVP, um/1 site/ideia/projecto por mês, release early release often. E eram 12 projectos por ano em que se atirava o barro à parede com esses projectos. Algum havia de “colar”. Ter uma carteira com o maior numero possivel de investimentos é uma das boas práticas do investimento e uma forma de espalhar o risco. É uma questão de probabilidades.

Funcionava? Ou não? Any takers (mvalente@maverick.pt)? O que é que pode justificar não o fazer e continuar a investir em projectos? Gostava de ouvir opiniões.