Politics


23
Feb 10

Justiça sem Ministério da Justiça

Uma solução simples para acabar com os problemas da Justiça: acabar com o Ministério da Justiça.

Melhor dizendo: a forma de alterar a percepção e atribuição de problemas na Justiça em Portugal é acabar com o Ministério da Justiça.

Em Portugal, os cidadãos têm uma ideia errada do que é a Justiça. Em primeiro lugar porque acham que as responsabilidades na Justiça são apenas do Ministério da Justiça, e portanto atribuem ao Ministério a responsabilidade de todo e qualquer problema. Em segundo lugar porque acham que o Ministério da Justiça se resume às coisas dos Tribunais, sem perceber que o mesmo Ministério tem muito mais atribuições, aonde faz o seu trabalho, moderniza e faz mudanças para beneficio dos cidadãos.

O Ministério da Justiça é mais do que as coisas da Justiça dos Tribunais. Esses assuntos são tratados pela Direcção Geral da Administração da Justiça (DGAJ) a quem compete a gestão dos tribunais e a gestão do pessoal dos tribunais (exceptuando juízes e magistrados). Mas isso é cerca de metade das responsabilidades do Ministério da Justiça. A outra metade são as actividades e responsabilidades do Instituto de Registos e Notariado, a quem compete a gestão das conservatórias (civis, prediais, automóvel e comerciais), onde nos últimos anos se fizeram reformas relevantes (Empresa na Hora, Documento Unico Automovel, etc). O facto de essas reformas terem sido feitas tem a ver com a responsabilidade e autoridade do Ministério da Justiça. Que existe no caso dos Registos e Notariado, mas não existe no caso dos tribunais: nesse caso a responsabilidade é partilhada com o juízes e magistrados.

E é daqui que decorre a ideia errada referida em primeiro lugar: o cidadão acha que o Ministério da Justiça é a Justiça e acha que do Ministério da Justiça é de onde vêm todos os problemas e é de onde deveriam vir todas as soluções. O cidadão esquece-se que, num Estado de Direito, o sistema judicial (tribunais, juizes, magistrados, etc) é completamente independente do poder executivo (o Governo) e que portanto pode (e muito bem), colocar entraves à actuação do Ministério da Justiça.

Mas então, para evitar esses entraves, para garantir que o cidadão perceba que a Justiça não é o Ministério da Justiça e para se poder atribuir adequadamente as responsabilidades por qualquer problema que exista na Justiça, o melhor é acabar com o Ministério da Justiça. Isto já para não falar que essa é a forma de verdadeiramente estabelecer um Estado de Direito e a independência do poder judicial face ao poder executivo.

Isto não seria novidade nenhuma: em vários países da Europa não existe Ministério da Justiça.

As responsabilidades da DGAJ passariam a ser tuteladas pelo poder judicial (Supremo Tribunal de Justiça, Conselho Superior da Magistratura, Procuradoria Geral da República, etc). Nesse âmbito passaria a ser o poder judicial a ter responsabilidades sobre a gestão dos tribunais assim como sobre o pessoal que trabalha nos mesmos (oficiais de justiça). Também a Polícia Judiciária deveria ser tutelada apenas pelo poder judicial. As responsabilidades do IRN (com excepção do registo civil) passariam a ser atribuidas ao Ministério da Economia (empresas, prédios e carros têm mais a ver com Economia do que com Justiça). O registo civil (os BIs, Cartões do Cidadão, nascimentos, mortes, etc) passaria a ser responsabilidade do Ministério da Administração Interna, assim como as atribuições da Direcção Geral de Serviços Prisionais (ao fim e ao cabo são polícias). Outros serviços do Ministério da Justiça são também perfeitamente atribuíveis a outros Ministérios. A título de exemplo: o Instituto de Reinserção Social faria todo o sentido que fosse tutelado pelo Ministério da Segurança Social; o Instituto Nacional de Medicina Legal faria todo o sentido que fosse tutelado pelo Ministério da Saúde.

E pronto, problema resolvido. O Estado transferia verbas para o sistema judicial como faz para as autarquias. O sistema judicial era verdadeiramente independente, como manda um Estado de Direito. Juízes e magistrados passavam a poder gerir os tribunais e o pessoal como bem entendessem. E o cidadão passava a poder atribuir a responsabilidade de qualquer problema na Justiça (a lentidão por exemplo) sem ter o bode expiatório do Ministério da Justiça que neste momento vê todo e qualquer trabalho de qualidade remetido para o esquecimento apenas pela existência de problemas que muitas vezes não cria e sobre os quais não pode fazer (quase) nada.

E se calhar o cidadão começava também a perguntar-se qual a legitimidade democrática do sistema judicial, onde é que os cidadãos são tidos ou achados para escolher quem são os juízes e como chegam a cargos de relevância (nos EUA são eleitos). Ou a perguntar-se se faz sentido ter no mesmo tribunal, no mesmo edifício, juízes que julgam e magistrados que acusam, e se não faria mais sentido que o *Ministério* Público fosse…. um Ministério. Pelo menos garantia-se que o número de Ministérios se mantinha, o que é sempre uma coisa importante. Acho.


28
Jan 10

O Sr. Rating, Esse Bandido

Enquanto sou presidente da CMVM e vou à Europa prestar depoimentos em comissões de inquérito e os ratings são aplicados aos outros, o Sr. Rating é um gajo porreiro: “there is no reason why we shouldn’t continue to have faith in ratings given” ( http://www.europarl.europa.eu/hearings/20020710/teixeira.pdf )

Enquanto Ministro das Finanças e quando os ratings não são em meu favor, o Sr Rating é um filho da mãe e um incompetente: “erros cometidos pelas agências de rating” ( http://economico.sapo.pt/noticias/teixeira-dos-santos-acusa-agencias-de-rating-de-servirem-interesses-comerciais_80091.html )

Decida-se.


20
Jan 10

Corrupção e Pobreza

Causas da corrupção:

  • restrições a um livre mercado
  • subsídios governamentais
  • controlo de preços
  • baixos salários na Função Pública

Consequências da corrupção:

  • pouco investimento e pouco crescimento económico
  • má alocação e retenção de talentos
  • perda de receita fiscal
  • problemas orçamentais
  • qualidade inferior nas infraestruturas e serviços públicos

Isto diz-vos alguma coisa? Conseguem ver o paralelo, a analogia? Portanto é simples: para acabar com as consequências basta resolver as causas.


30
Sep 09

Quem é que Faz de Anjo

Eu disse que ia falar sobre este assunto e andei a arranjar vontade para o fazer. Como tenho andado a tomar o Cholagut e já me sinto melhor da figadeira, cá vai…

Esta coisa do empreendedorismo e das startups é uma coisa incerta, variável, dinâmica, imponderável, cheia de inesperados. É uma coisa que implica assumir, como hei-de dizer…: riscos. Como consequência tem-se obviamente que o financiamento deste tipo de projectos, implica, digamos, algum risco. Não é daquele risco tipo “vou andar de skate mas posso partir uma perna”, não. É mais daquele tipo “vou atravessar uma floresta em chamas infestada de leões e acredito que vou sair do outro lado incólume. Ou morto”. Se calhar é por isso que o investimento neste tipo de projectos se chama capital de risco. Digo eu.

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3
Sep 09

Estado faz de anjo

Eu até me apetecia escrever um post sobre isto http://is.gd/2OviQ mas pensando bem, não me apetece. Estou de férias, faz-me mal ao fígado, fica para a semana…


25
Aug 09

O Poder da Internet

“O poder da Internet deve servir o Mundo”

Não serve nem deve servir. A Internet serve o individuo, transfere poder das organizações e do colectivo para o individuo. Uma afirmação colectivista e socialista cuja consequência lógica é a submissão da Internet a uma qualquer entidade supranacional (ONU? EU?) e a retirada de direitos digitais aos cidadãos (confidencialidade, anonimidade, privacidade).

“A tecnologia não resolve problemas, as pessoas resolvem problemas.”

Precisamente. Pessoas. Possivelmente agregadas em grupos por vontade própria. O que não resolve problemas: colectivos impostos, partidos e políticos, entidades supranacionais e supraindividuo.

“Os políticos do presente e do futuro têm de orquestrar a inteligência colectiva.”

Não têm nada. A inteligência colectiva orquestra-se a si própria. A inteligência colectiva de uma colónia de formigas não é orquestrada por ninguém. A inteligência colectiva de um cérebro também não, não é preciso ninguém a orquestrar os neurónios.

“Devem impor-se pela confiança. O seu desígnio não é um conceito de justiça meramente formal, mas o desenvolvimento das capacidades para que cada um atinja o seu potencial.”

Cá está. Mais uma das várias afirmações que trai o tom geral da entrevista, um tom de descentralização, poder distribuido, capacidade dos individuos. No fundo, no fundo, as pessoas e cidadãos são umas bestas que precisam que os politicos se imponham e lhes orquestrem a vidinha para que possam atingir o seu potencial.

Para além do discurso bonito, é uma agenda compreensivel para quem representa não só uma multinacional mas também o poder politico (um partido).

Em tudo o resto é uma boa entrevista.


25
Aug 09

On the Immorality of Socialism

This clip is taken from a 1990 debate at the University of Waterloo, featuring Bob Rae, 6-months before he became the Premier of Ontario, and John Ridpath, who at the time was an associate professor at York University in Toronto, Canada.

On the Immorality of Socialism


23
Aug 09

Miradouro de Salazar

Miradouro de Salazar Afinal o fanatismo abrilista não chegou a todo o lado, esqueceram-se deste. É o que dá a “esquerda ecologista” nunca ter posto os pés na Tapada da Ajuda.


22
Aug 09

“Capitalism without bankruptcy is like …

“Capitalism without bankruptcy is like Christianity without Hell”


21
Aug 09

A Culpa é dos Jornalistas

Path: mv.asterisco.pt!mvalente
From: mfvale…@gmail.com (Mario Valente)
Newsgroups: mv
Subject: A Culpa é dos Jornalistas
Date: Fri, 21 Aug 09 20:12:21 GMT

No caso da derrocada da arriba na praia Maria Luisa no Algarve, a culpa é obviamente dos jornalistas.

Como pelos vistos a derrocada era previsivel e eminente e necessariamente tem de haver alguem culpado (ou pelo menos é o que insinuam as perguntas), entao os culpados são os jornalistas. Falharam no seu dever de investigação e no seu dever de informação. Como arautos e garantes da democracia, deviam estar informados sobre este problema que pelos vistos era obvio e deviam ter informado e educado as populações sobre o mesmo. Isto sem falar do facto de que falharam no seu dever fundamental que é alertar e fiscalizar o poder politico para as suas falhas.

Como a classe (profissional) é grande, sugiro que se use como bode expiatorio um gajo qualquer do Jornal do Algarve ou entao da radio Algarve FM.

– MV