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	<title>mvalente.eu/mv.* &#187; Politics</title>
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	<description>Heavy Mental Stuff</description>
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		<title>Justiça sem Ministério da Justiça</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 23:51:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma solução simples para acabar com os problemas da Justiça: acabar com o Ministério da Justiça.
Melhor dizendo: a forma de alterar a percepção e atribuição de problemas na Justiça em Portugal é acabar com o Ministério da Justiça.
Em Portugal, os cidadãos têm uma ideia errada do que é a Justiça. Em primeiro lugar porque acham [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma solução simples para acabar com os problemas da Justiça: acabar com o Ministério da Justiça.</p>
<p>Melhor dizendo: a forma de alterar a percepção e atribuição de problemas na Justiça em Portugal é acabar com o Ministério da Justiça.</p>
<p>Em Portugal, os cidadãos têm uma ideia errada do que é a Justiça. Em primeiro lugar porque acham que as responsabilidades na Justiça são apenas do Ministério da Justiça, e portanto atribuem ao Ministério a responsabilidade de todo e qualquer problema. Em segundo lugar porque acham que o Ministério da Justiça se resume às coisas dos Tribunais, sem perceber que o mesmo Ministério tem muito mais atribuições, aonde faz o seu trabalho, moderniza e faz mudanças para beneficio dos cidadãos.</p>
<p>O Ministério da Justiça é mais do que as coisas da Justiça dos Tribunais. Esses assuntos são tratados pela Direcção Geral da Administração da Justiça (DGAJ) a quem compete a gestão dos tribunais e a gestão do pessoal dos tribunais (exceptuando juízes e magistrados). Mas isso é cerca de metade das responsabilidades do Ministério da Justiça. A outra metade são as actividades e responsabilidades do Instituto de Registos e Notariado, a quem compete a gestão das conservatórias (civis, prediais, automóvel e comerciais), onde nos últimos anos se fizeram reformas relevantes (Empresa na Hora, Documento Unico Automovel, etc). O facto de essas reformas terem sido feitas tem a ver com a responsabilidade e autoridade do Ministério da Justiça. Que existe no caso dos Registos e Notariado, mas não existe no caso dos tribunais: nesse caso a responsabilidade é partilhada com o juízes e magistrados.</p>
<p>E é daqui que decorre a ideia errada referida em primeiro lugar: o cidadão acha que o Ministério da Justiça é a Justiça e acha que do Ministério da Justiça é de onde vêm todos os problemas e é de onde deveriam vir todas as soluções. O cidadão esquece-se que, num Estado de Direito, o sistema judicial (tribunais, juizes, magistrados, etc) é completamente independente do poder executivo (o Governo) e que portanto pode (e muito bem), colocar entraves à actuação do Ministério da Justiça.</p>
<p>Mas então, para evitar esses entraves, para garantir que o cidadão perceba que a Justiça não é o Ministério da Justiça e para se poder atribuir adequadamente as responsabilidades por qualquer problema que exista na Justiça, o melhor é acabar com o Ministério da Justiça. Isto já para não falar que essa é a forma de verdadeiramente estabelecer um Estado de Direito e a independência do poder judicial face ao poder executivo.</p>
<p>Isto não seria novidade nenhuma: em vários países da Europa não existe Ministério da Justiça.</p>
<p>As responsabilidades da DGAJ passariam a ser tuteladas pelo poder judicial (Supremo Tribunal de Justiça, Conselho Superior da Magistratura, Procuradoria Geral da República, etc). Nesse âmbito passaria a ser o poder judicial a ter responsabilidades sobre a gestão dos tribunais assim como sobre o pessoal que trabalha nos mesmos (oficiais de justiça). Também a Polícia Judiciária deveria ser tutelada apenas pelo poder judicial. As responsabilidades do IRN (com excepção do registo civil) passariam a ser atribuidas ao Ministério da Economia (empresas, prédios e carros têm mais a ver com Economia do que com Justiça). O registo civil (os BIs, Cartões do Cidadão, nascimentos, mortes, etc) passaria a ser responsabilidade do Ministério da Administração Interna, assim como as atribuições da Direcção Geral de Serviços Prisionais (ao fim e ao cabo são polícias). Outros serviços do Ministério da Justiça são também perfeitamente atribuíveis a outros Ministérios. A título de exemplo: o Instituto de Reinserção Social faria todo o sentido que fosse tutelado pelo Ministério da Segurança Social; o Instituto Nacional de Medicina Legal faria todo o sentido que fosse tutelado pelo Ministério da Saúde.</p>
<p>E pronto, problema resolvido. O Estado transferia verbas para o sistema judicial como faz para as autarquias. O sistema judicial era verdadeiramente independente, como manda um Estado de Direito. Juízes e magistrados passavam a poder gerir os tribunais e o pessoal como bem entendessem. E o cidadão passava a poder atribuir a responsabilidade de qualquer problema na Justiça (a lentidão por exemplo) sem ter o bode expiatório do Ministério da Justiça que neste momento vê todo e qualquer trabalho de qualidade remetido para o esquecimento apenas pela existência de problemas que muitas vezes não cria e sobre os quais não pode fazer (quase) nada.</p>
<p>E se calhar o cidadão começava também a perguntar-se qual a legitimidade democrática do sistema judicial, onde é que os cidadãos são tidos ou achados para escolher quem são os juízes e como chegam a cargos de relevância (nos EUA são eleitos). Ou a perguntar-se se faz sentido ter no mesmo tribunal, no mesmo edifício, juízes que julgam e magistrados que acusam, e se não faria mais sentido que o *Ministério* Público fosse&#8230;. um Ministério. Pelo menos garantia-se que o número de Ministérios se mantinha, o que é sempre uma coisa importante. Acho.</p>
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		<title>O Sr. Rating, Esse Bandido</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 22:22:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto sou presidente da CMVM e vou à Europa prestar depoimentos em comissões de inquérito e os ratings são aplicados aos outros, o Sr. Rating é um gajo porreiro: &#8220;there is no reason why we shouldn’t continue to have faith in ratings given&#8221; ( http://www.europarl.europa.eu/hearings/20020710/teixeira.pdf )
Enquanto Ministro das Finanças e quando os ratings não são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto sou presidente da CMVM e vou à Europa prestar depoimentos em comissões de inquérito e os ratings são aplicados aos outros, o Sr. Rating é um gajo porreiro: &#8220;there is no reason why we shouldn’t continue to have faith in ratings given&#8221; ( <a href="http://www.europarl.europa.eu/hearings/20020710/teixeira.pdf">http://www.europarl.europa.eu/hearings/20020710/teixeira.pdf</a> )</p>
<p>Enquanto Ministro das Finanças e quando os ratings não são em meu favor, o Sr Rating é um filho da mãe e um incompetente: &#8220;erros cometidos pelas agências de rating&#8221; ( <a href="http://economico.sapo.pt/noticias/teixeira-dos-santos-acusa-agencias-de-rating-de-servirem-interesses-comerciais_80091.html">http://economico.sapo.pt/noticias/teixeira-dos-santos-acusa-agencias-de-rating-de-servirem-interesses-comerciais_80091.html</a> )</p>
<p>Decida-se.</p>
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		<title>Corrupção e Pobreza</title>
		<link>http://mvalente.eu/2010/01/20/corrupcao-e-pobreza/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 00:11:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Causas da corrupção:

restrições a um livre mercado
subsídios governamentais
controlo de preços
baixos salários na Função Pública

Consequências da corrupção:

pouco investimento e pouco crescimento económico
má alocação e retenção de talentos
perda de receita fiscal
problemas orçamentais
qualidade inferior nas infraestruturas e serviços públicos

Isto diz-vos alguma coisa? Conseguem ver o paralelo, a analogia? Portanto é simples: para acabar com as consequências basta resolver [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Causas da corrupção:</p>
<ul>
<li>restrições a um livre mercado</li>
<li>subsídios governamentais</li>
<li>controlo de preços</li>
<li>baixos salários na Função Pública</li>
</ul>
<p>Consequências da corrupção:</p>
<ul>
<li>pouco investimento e pouco crescimento económico</li>
<li>má alocação e retenção de talentos</li>
<li>perda de receita fiscal</li>
<li>problemas orçamentais</li>
<li>qualidade inferior nas infraestruturas e serviços públicos</li>
</ul>
<p><a href="http://www.imf.org/EXTERNAL/PUBS/FT/ISSUES6/INDEX.HTM">Isto</a> diz-vos alguma coisa? Conseguem ver o paralelo, a analogia? Portanto é simples: para acabar com as consequências basta resolver as causas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quem é que Faz de Anjo</title>
		<link>http://mvalente.eu/2009/09/30/quem-e-que-faz-de-anjo/</link>
		<comments>http://mvalente.eu/2009/09/30/quem-e-que-faz-de-anjo/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 15:36:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu disse que ia falar sobre este assunto e andei a arranjar vontade para o fazer. Como tenho andado a tomar o Cholagut e já me sinto melhor da figadeira, cá vai&#8230;
Esta coisa do empreendedorismo e das startups é uma coisa incerta, variável, dinâmica, imponderável, cheia de inesperados. É uma coisa que implica assumir, como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu <a href="http://mvalente.eu/2009/09/03/estado-faz-de-anjo/">disse</a> que ia falar sobre <a href="http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&amp;id=384786">este assunto</a> e andei a arranjar vontade para o fazer. Como tenho andado a tomar o Cholagut e já me sinto melhor da figadeira, cá vai&#8230;</p>
<p>Esta coisa do empreendedorismo e das startups é uma coisa incerta, variável, dinâmica, imponderável, cheia de inesperados. É uma coisa que implica assumir, como hei-de dizer&#8230;: riscos. Como consequência tem-se obviamente que o financiamento deste tipo de projectos, implica, digamos, algum risco. Não é daquele risco tipo &#8220;vou andar de skate mas posso partir uma perna&#8221;, não. É mais daquele tipo &#8220;vou atravessar uma floresta em chamas infestada de leões e acredito que vou sair do outro lado incólume. Ou morto&#8221;. Se calhar é por isso que o investimento neste tipo de projectos se chama <strong>capital de risco</strong>. Digo eu.</p>
<p><span id="more-858"></span></p>
<p>Sempre achei piada ao capital de risco em Portugal. &#8220;Ai, nós vamos investir 10 milhões em capital de risco na Vista Alegre&#8221;. Qual risco? Uma empresa já com um produto, com uma infraestrutura, com activos, com facturação e cash flows&#8230; Risco? Poupem-me. Isso é <strong>private equity</strong>, não é capital de risco. Cheguei a ouvir numa apresentação um senhor de uma empresa de &#8220;capital de risco&#8221; a dizer com todas as letras &#8220;nós somos uma empresa de capital de risco mas não gostamos de correr riscos&#8221;. Ah bem&#8230; Eu também não. Aliás: eu só gosto de correr riscos quando sei quais são. São riscos, mas eu assumo-os. É totalmente diferente de dizer &#8220;eu gosto de correr riscos&#8221; (quaisquer riscos; o que é irresponsável) ou de dizer &#8220;eu não gosto de correr riscos&#8221; (quaisquer riscos; o que é de maricas).</p>
<p>Indo ao assunto em causa. Resolveu o Governo, em nome do Estado, criar o <a href="http://www.qren.pt/news_detail.php?lang=0&amp;id_channel=2&amp;id_page=70&amp;id=330">programa SAPFRI</a>, no âmbito do QREN 2007-2013 (leia-se: a última vez que Portugal recebe fundos da EU). O programa e os seus subprogramas &#8220;visam a constituição ou reforço de Fundos de Capital de Risco&#8221;. Trocando por miúdos: o Estado mete dinheiro do contribuinte em Fundos de Capital de Risco.</p>
<p>Parece-me logo bem a ideia de correr riscos com o dinheiro dos contribuintes. É certo que o mesmo já se corre quando o dinheiro dos fundos da Segurança Social é aplicado em obrigações ou fundos de acções ou outros mecanismos financeiros. É a única forma de fazer &#8220;crescer&#8221; esse dinheiro e garantir o funcionamento futuro do sistema de Segurança Social (que em minha opinião não devia existir, ou pelo menos devia ser opcional, mas isso é outra conversa). Mas são riscos controlados, tipo &#8220;andar de skate&#8221;. O Estado meter dinheiro em capital de risco é daquele tipo &#8220;floresta em chamas e leões&#8221;. O guito pode ir todo por água abaixo. O que é no mínimo desagradável. Para correr esse tipo de risco era mais fácil não meter o guito em fundos de capital de risco e não ter de pagar comissões e dividir lucros com as empresas de capital de &#8220;risco&#8221;. Bastava pegar no dinheiro (141 milhões de Euro) e distribui-lo a fundo perdido, em blocos de 50.000 Euro (capital social mínimo de uma S.A), às primeiras 2.820 empresas que aparecessem no balcão. Era mais simples burocraticamente e criava ou apoiava mais empresas do que as 60, 70 (ou 100 ou 200) que têm planeadas. Para além de que (conversa de Corporate Finance) o risco estava mais distribuido aumentando a probabilidade de remuneração do capital (tradução: aposto em mais cavalos logo tenho mais hipótese de acertar no vencedor).</p>
<p>Também me parece um pouco estranho este conceito de meter o dinheiro dos contribuintes em empresas de capital de &#8220;risco&#8221; que não gostam de correr riscos. &#8220;Ai eu não gosto e não posso correr riscos com o dinheiro dos investidores&#8221;. OK, tudo bem. &#8220;Ai é dinheiro dos contribuintes? Então bora lá correr riscos!!&#8221;. Se uma empresa de capital de risco tem uma oportunidade de investir numa empresa correndo riscos tendo a hipótese de ganhar uma pipa de massa, porque é que precisa da ajuda do Estado para correr o risco? Se não quer correr o risco mas o Estado acha que deve investir em empresas com risco, então é mais simples dar o dinheiro directo às empresas e não pagar comissões e partilha de lucros. Vidé parágrafo acima.</p>
<p>Mas tudo bem. É o que está montado, não há nada a fazer. Vamos então esmiuçar (aposto que não estavam à espera desta&#8230;) o <a href="http://www.qren.pt/news_detail.php?lang=0&amp;id_channel=2&amp;id_page=70&amp;id=330">programa e subprogramas</a>:</p>
<ul>
<li>na maior parte dos subprogramas aparece &#8220;Prazos para a apresentação de candidaturas no âmbito do COMPETE: Entre o dia 31 de Agosto e o dia 25 de Setembro de 2009&#8243;. Parece-me bem. Ora deixa lá ver: o programa é apresentado a 31 de Agosto, o prazo é de 31 de Agoso a dia 25 de Setembro; isto dá, sei lá, 26 dias para apresentar uma candidatura. Tendo em conta as exigências feitas às candidaturas só o Zandinga é que tinha hipótese de se candidatar a tempo. Ou então quem tivesse candidaturas já preparadas. Tipo template Word, preencha os campos e sai do outro lado o business plan completo para os próximos 5 anos. Para garantir a adrenalina dos deadlines, no caso de investimentos em indústria criativas o prazo é (era) até 15 de Setembro. Risível.</li>
<li>em quase todos os subprogramas aparecem os &#8220;Objectivos: A criação ou reforço de Fundos de Capital de Risco&#8221;. Criação? Oh meus amigos, isto não é o Empresa Na Hora (tendo muito respeito pelo serviço, tenho amigos que conhecem lá pessoas). Não dá para ir ali ao balcão na Loja do Cidadão e dizer &#8220;Olá, vim aqui criar um Fundo de Capital de Risco, tenho a senha 214 e já passou a hora do cacilheiro das 6&#8243;. A criação de um FCR é complexa, dá direito a comunicação à CMVM e tudo. Um gajo lê as exigências e fica todo borrado. Para além de perder a vontade (de criar o fundo, quero dizer). Vá, podiam ter lá posto &#8220;Objectivos: Reforço de Fundos de Capital de Risco&#8221;. Era mais simples. Ficava claro que o programa era para financiar os fundos já existentes. Daqueles que até têm templates Word para as candidaturas&#8230;</li>
<li>somente num dos subprogramas é que não aparece &#8220;Os FCR não poderão ter um montante de capital inferior a X&#8221;. Onde X é ou 2/2,5 milhões de Euro ou 4/5 milhões de Euro. De acordo com a <a href="http://www.cmvm.pt/NR/exeres/A4371A3D-8687-4FC5-9A3D-446F1DBE271F.htm">lei</a>, o capital mínimo para um fundo é de 1 milhão de Euro. Portanto: os que têm menos dinheiro ficam a chupar no dedo; os gajos que são &#8220;ajudados&#8221; (a correr riscos) são os que têm mais dinheiro. Faz sentido.</li>
<li>cada candidatura deve conter, parafraseando, &#8220;o plano de actividades e investimento, identificação da estrutura de recursos humanos e de gestão de projectos, planificação do uso dos dinheiros&#8221;. Coisa fraca. É para apresentar em 26 dias. Ou menos. Fácil. Especialmente no caso de ser a &#8220;criaçao de um Fundo de Capital de Risco&#8221;. Ah! é só para casos de reforço, esqueci-me.</li>
<li>em dois dos subprogramas temos a exigência de que &#8220;os promotores do projecto terão de participar no capital da empresa a constituir com um valor mínimo de 5 mil euros, sendo o restante capital subscrito pelo FCR&#8221;. Ora vamos lá fazer as contas: os promotores/empreendedores têm 5.000€ de capital. O resto vem do fundo. Assim de repente não me ocorre que a empresa precise de  mais 2 ou 3 mil Euro. E também não me parece que o fundo esteja lá para investir 2 ou 3 mil Euro. Digamos que investe 5.000€, para que a empresa tenha um total de 10.000€ disponíveis. Os promotores/empreendedores ficaram portanto com 50% da empresa e o fundo com os outros 50%. Mas, como disse, não me parece que as necessidades e os investimentos sejam desta ordem de valores. Digamos que os empreendedores têm 5.000€ e precisam de mais 45.000€ (somando 50K€, o mínimo para criar uma S.A.). O fundo de capital de risco fica com <strong>90% </strong>da empresa e os empreendedores com 10%. É justo. E podem dizer: &#8220;ah se os empreendedores querem mais percentagem de ownership então que entrem com a massa&#8221;. Certo&#8230; O empreendedor quer ter 90% da empresa. Portanto entra ele com os 45.000€. Pergunta: para que precisa ele dos 5.000€ adicionais da capital de risco? Pergunta: porque é que a capital de risco vai colocar 5.000€ numa empresa?</li>
<li>a estrutura normal de um investimento de capital de risco segue a regra dos 2/20/80. Isto é: a capital de risco cobra 2% de comissão de gestão; quaisquer lucros de um investimento realizado são distribuidos em 20% para a entidade gestora do fundo e em 80% para os investidores no fundo. Os promotores recebem uma remuneração da sua ideia, investimento e trabalho, proporcional à percentagem detida na empresa. Exemplo: um grupo de empreendedores criar uma empresa com 50.000€; uma capital de risco entra com mais 50.000€; a empresa fica portanto dividida em 50% de capital pertencente aos empreendedores e 50% pertencente à capital de risco. A capital de risco tem logo a receber 2% dos 50.000€ (ie. 1000€; é pouco, claro, dada a dimensão do investimento; imaginem que estávamos a falar de um investimento de 5 milhões e a comissão de gestão era de 100.000€ imediatos, sem riscos e sem passar pela casa da partida). Imagine-se agora que a empresa é vendida por 1 milhão de Euro. Os promotores, que detêm 50% da empresa, têm a receber 500.000€. A capital de risco tem a receber outros 500.000€. Tirando os 50.000€ de investimento, a capital de risco tem um lucro de 450.000€. Estes são distribuídos em 20% para a capital de risco (90.000€) e 80% para os investidores (360.000€)</li>
<li>a estrutura destes programas parece seguir a regra dos 3/?/?&#8230; A comissão de gestão é de 3%. Qual a distribuição das mais valias? Não sabemos. Bem, sabemos pelos documentos que 15% são para os promotores. Mas e os restantes 85%, são distribuídos como? Quanto é que cabe à capital de risco (denominada de <em>carry</em>)? Quanto é que cabe aos investidores? Não sabemos. Na falta de informação, assuma-se que o <em>carry</em> é de 0%, ou seja, a capital de risco não partilha dos lucros. Então qual é o incentivo que tem em fazer e gerir o investimento? Será que é 5% (os normais 20% aos quais foram subtraídos os 15% a dar aos promotores)? Se forem 5% mais uma vez: então qual o incentivo ao trabalho da capital de risco? Mais: se a capital de risco tiver um investimento interessante, porque é que o há-de fazer com o dinheiro destes programas, com os quais recebe 5% das mais valias, em vez de fazer com o dinheiro de fundos próprios onde recebe 20% das mais valias? Vamos assumir que são os normais 20%. Mais os 15% de distribuição aos promotores sobra 65% para os investidores. Eu se fosse investidor não queria ver o meu dinheiro a ser usado em conjunto com estes fundos. Estou habituado a ver o meu capital remunerado com 80% dos lucros, chateia-me um bocado que ele seja remunerado apenas com 65%. Mas tudo bem, sobram 65% para distribuir pelos investidores. De que forma é distribuido? Quanto calha aos investidores institucionais? Quanto é que calha ao Estado? É a fundo perdido? Não sabemos.</li>
<li>no meio disto tudo safa-se um dos subprogramas, o destinado aos <a href="http://www.qren.pt/download.php?id=1284">business angels</a>, e ao qual <a href="http://seedcapital.pt/">teriamos</a> todo o interesse e gosto em concorrer. Sendo certo que não é nos mesmos moldes que os outros subprogramas: neste o dinheiro não é dado, é emprestado, e tem de ser pago com juros (o que acho muito bem; mesmo). Concorreriamos, não fossem feitas algumas exigências que continuam a não fazer muito sentido: os prazos apertados (neste caso mais dilatado, até 30 de Outubro); as exigências feitas às candidaturas apenas atingíveis por quem já opera há vários anos (estrutura de recursos humanos, existência de um sistema de informação &#8220;adequado&#8221;, conjunto de reports regulares perfeitamente inúteis e consumidores de tempo); e finalmente mas não menos importante, as exigências feitas aos investidores individuais (ie. os business angels), nomeadamente a necessidade de estarem registados na CMVM e de estarem constituidos como uma sociedade unipessoal (o que mais uma vez levanta a questão dos prazos para formalizar todas estas figuras dentro do prazo das candidaturas; a não ser que esteja já tudo montado e nesse caso os programas não apoiam a criação de nada, apenas reforçam). Acresce que este conjunto de exigências aos investidores individuais <a href="http://www.executivo.guarda.pt/PDFS/investidores_em_capital_de_risco.pdf">foi já demonstrado como não tendo interesse nenhum</a> para os business angels.</li>
</ul>
<p>Em suma: o Estado e o Governo, cada vez que querem ajudar, desajudam. A iniciativa deste programa é meritória mas peca pelo excessivo conjunto de regras e a excessiva rigidez das formas, ambas pouco compatíveis para o ambiente dinâmico existente no contexto do empreendedorismo e das startups. No meio disto tudo fica sem se saber se o Estado faz de anjo ou se é anjinho; se as empresas de capitais de risco são anjinhos (ou não); e finalmente se não é o contribuinte que é um anjinho, quando podia ser um anjo e investir o dinheiro que lhe cobram em impostos em empresas suas, em vez de o mesmo ser usado para financiar empresas dos outros.</p>
<p>Se o Estado quer mesmo ajudar os os investidores, os empreendedores e as startups, ficam aqui algumas sugestões: façam menos; saiam do caminho; deixem-nos trabalhar; cobrem menos impostos às empresas nos 3 primeiros anos de vida; concedam empréstimos <strong>directos</strong> às startups (e não aos investidores), a uma taxa bonificada ou razoável, a pagar num período de médio/longo prazo (3 a 5 anos), sem grandes planeamentos e burocracias. Era mais simples e trazia mais resultados do que o rococó e as exigências leoninas do programa em causa.</p>
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<pre>Prazos para a apresentação de candidaturas no âmbito do COMPETE&lt;/<span class="end-tag">font</span>&gt;: Entre o dia 31 de Agosto e o dia 25 de Setembro de 2009</pre>
</div>
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		<title>Estado faz de anjo</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Sep 2009 23:57:31 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Eu até me apetecia escrever um post sobre isto http://is.gd/2OviQ mas pensando bem, não me apetece. Estou de férias, faz-me mal ao fígado, fica para a semana&#8230;
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu até me apetecia escrever um post sobre isto <a href="http://is.gd/2OviQ">http://is.gd/2OviQ</a> mas pensando bem, não me apetece. Estou de férias, faz-me mal ao fígado, fica para a semana&#8230;</p>
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		<title>O Poder da Internet</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 16:07:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Technology]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;O poder da Internet deve servir o Mundo&#8221;
Não serve nem deve servir. A Internet serve o individuo, transfere poder das organizações e do colectivo para o individuo. Uma afirmação colectivista e socialista cuja consequência lógica é a submissão da Internet a uma qualquer entidade supranacional (ONU? EU?) e a retirada de direitos digitais aos cidadãos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em><a href="http://www.ionline.pt/conteudo/19767-diogo-vasconcelos-politicos-orquestram-inteligencia-colectiva">&#8220;O poder da Internet deve servir o Mundo&#8221;</a></em></strong></p>
<p>Não serve nem deve servir. A Internet serve o individuo, transfere poder das organizações e do colectivo para o individuo. Uma afirmação colectivista e socialista cuja consequência lógica é a submissão da Internet a uma qualquer entidade supranacional (ONU? EU?) e a retirada de direitos digitais aos cidadãos (confidencialidade, anonimidade, privacidade).</p>
<p><strong><em>&#8220;A tecnologia não resolve problemas, as pessoas resolvem problemas.&#8221;</em></strong></p>
<p>Precisamente. Pessoas. Possivelmente agregadas em grupos por vontade própria. O que não resolve problemas: colectivos impostos, partidos e políticos, entidades supranacionais e supraindividuo.</p>
<p><strong><em>&#8220;Os políticos do presente e do futuro têm de orquestrar a inteligência colectiva.&#8221;</em></strong></p>
<p>Não têm nada. A inteligência colectiva orquestra-se a si própria. A inteligência colectiva de uma colónia de formigas não é orquestrada por ninguém. A inteligência colectiva de um cérebro também não, não é preciso ninguém a orquestrar os neurónios.</p>
<p><strong><em>&#8220;Devem impor-se pela confiança. O seu desígnio não é um conceito de justiça meramente formal, mas o desenvolvimento das capacidades para que cada um atinja o seu potencial.&#8221;</em></strong></p>
<p>Cá está. Mais uma das várias afirmações que trai o tom geral da entrevista, um tom de descentralização, poder distribuido, capacidade dos individuos. No fundo, no fundo, as pessoas e cidadãos são umas bestas que precisam que os politicos se imponham e lhes orquestrem a vidinha para que possam atingir o seu potencial.</p>
<p>Para além do discurso bonito, é uma agenda compreensivel para quem representa não só uma multinacional mas também o poder politico (um partido).</p>
<p>Em tudo o resto é uma boa entrevista.</p>
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		<title>On the Immorality of Socialism</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 00:58:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[This clip is taken from a 1990 debate at the University of Waterloo, featuring Bob Rae, 6-months before he became the Premier of Ontario, and John Ridpath, who at the time was an associate professor at York University in Toronto, Canada.
On the Immorality of Socialism
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>This clip is taken from a 1990 debate at the University of Waterloo, featuring Bob Rae, 6-months before he became the Premier of Ontario, and John Ridpath, who at the time was an associate professor at York University in Toronto, Canada.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=pFC5OYU4Lyo">On the Immorality of Socialism</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Miradouro de Salazar</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 10:23:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Miradouro de Salazar  Afinal o fanatismo abrilista não chegou a todo o lado, esqueceram-se deste. É o que dá a &#8220;esquerda ecologista&#8221; nunca ter posto os pés na Tapada da Ajuda.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/desenvRegArtigo.asp?art=2964&amp;rev=2&amp;artini=2963">Miradouro de Salazar</a>  Afinal o fanatismo abrilista não chegou a todo o lado, esqueceram-se deste. É o que dá a &#8220;esquerda ecologista&#8221; nunca ter posto os pés na Tapada da Ajuda.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Capitalism without bankruptcy is like  &#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Aug 2009 03:04:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Capitalism without bankruptcy is like Christianity without Hell&#8221;
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Capitalism without bankruptcy is like Christianity without Hell&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A Culpa é dos Jornalistas</title>
		<link>http://mvalente.eu/2009/08/21/a-culpa-e-dos-jornalistas/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 Aug 2009 19:28:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personal]]></category>
		<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Path: mv.asterisco.pt!mvalente
From: mfvale&#8230;@gmail.com (Mario Valente)
Newsgroups: mv
Subject: A Culpa é dos Jornalistas
Date: Fri, 21 Aug 09 20:12:21 GMT
No caso da derrocada da arriba na praia Maria Luisa no Algarve, a culpa é obviamente dos jornalistas.
Como pelos vistos a derrocada era previsivel e eminente e necessariamente tem de haver alguem culpado (ou pelo menos é o que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Path: mv.asterisco.pt!mvalente<br />
From: mfvale&#8230;@gmail.com (Mario Valente)<br />
Newsgroups: mv<br />
Subject: A Culpa é dos Jornalistas<br />
Date: Fri, 21 Aug 09 20:12:21 GMT</p>
<p>No caso da derrocada da arriba na praia Maria Luisa no Algarve, a culpa é obviamente dos jornalistas.</p>
<p>Como pelos vistos a derrocada era previsivel e eminente e necessariamente tem de haver alguem culpado (ou pelo menos é o que insinuam as perguntas), entao os culpados são os jornalistas. Falharam no seu dever de investigação e no seu dever de informação. Como arautos e garantes da democracia, deviam estar informados sobre este problema que pelos vistos era obvio e deviam ter informado e educado as populações sobre o mesmo. Isto sem falar do facto de que falharam no seu dever fundamental que é alertar e fiscalizar o poder politico para as suas falhas.</p>
<p><span><span style="font-size: small"> </span></span></p>
<p>Como a classe (profissional) é grande, sugiro que se use como bode expiatorio um gajo qualquer do Jornal do Algarve ou entao da radio Algarve FM.</p>
<p>&#8211; MV</p>
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