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	<title>mvalente.eu/mv.* &#187; Politics</title>
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	<description>Heavy Mental Stuff</description>
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		<title>PS e PSD: Programas Eleitorais em 100 Palavras</title>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 02:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Sem grandes comentários e delongas, seguem os programas do PS e do PSD analisados sob a forma de tagcloud com as 100 palavras mais frequentes. Ambos os partidos se preocupam com Portugal (antes fosse) e com o próprio partido (claro). No programa do PSD agrada-me a referência ao &#8220;desenvolvimento&#8221; e às &#8220;empresas&#8221;. Preocupa-me aquele grande [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sem grandes comentários e delongas, seguem os programas do PS e do PSD analisados sob a forma de tagcloud com as 100 palavras mais frequentes.</p>
<div id="attachment_1638" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://mvalente.eu/files/2011/05/progPStagcloud.png"><img class="size-medium wp-image-1638" src="http://mvalente.eu/files/2011/05/progPStagcloud-300x126.png" alt="Tagcloud com programa eleitoral do PS" width="300" height="126" /></a><p class="wp-caption-text">Tagcloud com programa eleitoral do PS</p></div>
<div id="attachment_1639" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://mvalente.eu/files/2011/05/progPSDtagcloud.png"><img class="size-medium wp-image-1639" src="http://mvalente.eu/files/2011/05/progPSDtagcloud-300x127.png" alt="Tagcloud com programa eleitoral do PSD" width="300" height="127" /></a><p class="wp-caption-text">Tagcloud com programa eleitoral do PSD</p></div>
<p>Ambos os partidos se preocupam com Portugal (antes fosse) e com o próprio partido (claro).</p>
<p>No programa do PSD agrada-me a referência ao &#8220;desenvolvimento&#8221; e às &#8220;empresas&#8221;. Preocupa-me aquele grande &#8220;Estado&#8221; ali no meio.</p>
<p>O programa do PS reconhece de alguma forma a importância da &#8220;economia&#8221;, algo bastante abstracto. Preocupa-me aquele &#8220;DEFENDER&#8221; (assim, em maiúsculas) e aquele &#8220;social&#8221;.</p>
<p>Em ambos os casos faz-me espécie não ver a palavra &#8220;Portugueses&#8221; destacada.</p>
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		<title>Tudo o Que Você Devia Saber Sobre as Eleições Mas Não Sabe Porque Não Se Informa e Porque Ninguém Lhe Explica</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Jan 2011 00:08:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Vem o post e o título a propósito daquilo que falhou nas últimas eleições. Versão TL;DR: não foi o Cartão de Cidadão, foi você que não se informou e foi o Estado que não o informou. Dito isto, tendo estado envolvido de 2005 a 2008 em 5 processos eleitorais e tendo tido a oportunidade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1420" class="wp-caption alignleft" style="width: 309px"><a href="http://mvalente.eu/files/2011/01/logoeleicoespresidenciais.jpg"><img class="size-full wp-image-1420" src="http://mvalente.eu/files/2011/01/logoeleicoespresidenciais.jpg" alt="Logo Eleicoes Presidenciais" width="299" height="169" /></a><p class="wp-caption-text">Logo Eleicoes Presidenciais</p></div>
<p>Vem o post e o título a propósito daquilo que falhou nas <a href="http://www.presidenciais.mj.pt/">últimas eleições</a>. Versão TL;DR: não foi o <a href="http://www.cartaodecidadao.pt/">Cartão de Cidadão</a>, foi você que não se informou e foi o Estado que não o informou.</p>
<p>Dito isto, tendo estado <a href="http://mvalente.eu/2009/03/12/servir-na-administracao-publica/">envolvido de 2005 a 2008 em 5 processos eleitorais</a> e tendo tido a oportunidade de conhecer uma parte do processo (que não todo), vale a pena explicar como se processam umas eleições do ponto de vista operacional. Talvez assim fique claro para o cidadão e alguns jornalistas e comentadores ignorantes (estou a olhar para si prof. Marcelo Rebelo de Sousa) onde é que o problema radica.</p>
<p>Vamos lá então&#8230;</p>
<p><span id="more-1410"></span></p>
<p>No dia das eleições o eleitor desloca-se à sua mesa de voto, normalmente instalada numa junta de freguesia ou numa escola, <strong>identifica-se</strong> (mais sobre isto adiante), vota e vai à Igreja, vota e vai almoçar um cozido à portuguesa (o do Tico Tico em Lisboa é porreiro), ou então vota à tarde e vai fazer o passeio dos tristes: dantes era a Costa, Sesimbra, Cascais, Sintra, etc. hoje em dia é o centro comercial mais próximo. É depois disto que começa a parte operacional.</p>
<p>Fechada a mesa de voto, são contados os votos em cada uma das mesas. Todo este processo é organizado pelas autarquias e pelo <a href="http://www.dgai.mai.gov.pt/">Ministério da Administração Interna</a>, através da <a href="http://www.dgai.mai.gov.pt/">Direcção Geral da Administração Interna</a>, em particular a <a href="http://www.dgai.mai.gov.pt/?area=103&amp;mid=005">Direcção de Serviços de Apoio ao Recenseamento e Processo Eleitoral</a> (antigo <a href="http://www.stape.pt/">STAPE</a>, Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral).</p>
<p>Os votos são então levados para o Governo Civil mais próximo, para que os resultados sejam compilados e comunicados eletronicamente ao <a href="http://www.eleicoes.mj.pt/">sistema informático de divulgação de resultados</a>, suportado pelo <a href="http://www.mj.gov.pt/">Ministério da Justiça</a> nomeadamente pelo <a href="http://www.itij.mj.pt/">Instituto das Tecnologias de Informação na Justiça</a>. É neste passo que às vezes há algumas situações caricatas, nomeadamente com algumas pessoas das juntas de freguesia que vão festejar a vitória mais cedo a beber copos num bar qualquer e depois tem de ir lá a GNR buscá-los para entregarem os ditos votos no Governo Civil.</p>
<p>Tendo em conta o que aconteceu nas <a href="http://goo.gl/4ZZ7l">eleições autárquicas de 2005</a> e nestas eleições presidenciais, convirá esclarecer algumas coisas:</p>
<ul>
<li>1) os resultados no dia das eleições são resultados <strong>provisórios</strong>, sendo os resultados finais contados e confirmados mais tarde pelo <a href="http://www.tribunalconstitucional.pt/">Tribunal Constitucional</a> (amanhã é a contagem para os resultados finais destas últimas eleições);</li>
<li>2) o sistema que recebe e compila os resultados é completamente independente do <a href="http://www.eleicoes.mj.pt/">sistema que divulga os resultados</a>; em 2005 a falha deste último durante cerca de 45 minutos nunca pôs em causa o primeiro que é o verdadeiramente importante;</li>
<li>3) estes dois sistemas são independentes do site do <a href="http://www.dgai.mai.gov.pt/">MAI/DGAI/DSARP/STAPE</a>, do <a href="http://www.recenseamento.mai.gov.pt/">site de informações sobre o recenseamento</a> e do site da <a href="http://www.cne.pt/">Comissão Nacional de Eleições</a> (CNE). Todos estes sites também são independentes uns dos outros e não têm nada a ver com o processo eleitoral. Muita boa gente acede a um deles, não consegue aceder, e &#8220;ai jesus&#8221; que as eleições não estão a funcionar. O que é uma burrice decorrente de não se informarem, de não serem informados, e de os Portugueses terem um vício de procurar coisas que correm mal e acharem culpados. Nada como um bocadinho de sangue para animar um dia que, no geral, é uma chatice. Foi o site <a href="http://www.recenseamento.mai.gov.pt/">site de informações sobre o recenseamento</a> que teve problemas durante estas eleições (mais adiante);</li>
<li>4)  o que faz a CNE? Basicamente nada, em termos operacionais. É um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Comiss%C3%A3o_Nacional_de_Elei%C3%A7%C3%B5es">orgão fiscalizador que faz parte da Assembleia da República</a>. Quando as coisas correm bem ninguém lhes liga; quando correm mal são os primeiros a falar na televisão a dizer que não têm nada a ver com o assunto;</li>
</ul>
<p>E pronto a coisa está feita. Ou então não&#8230;</p>
<p>Vamos voltar atrás: o eleitor identifica-se como? À partida deveria bastar o Bilhete de Identidade, hoje em dia o Cartão de Cidadão (note-se o &#8220;de&#8221; e não &#8220;do&#8221; ou &#8220;da&#8221;; politiquices&#8230;). O BI/CC (e não CU como dá jeito a alguma imprensa publicar; em Portugal também somos todos uns cómicos e folgazões que gostam da rambóia) tem um número único, uma assinatura e uma foto. Tá feito, identifica o artista que quer votar.</p>
<p>O problema é que, devido a questões históricas e operacionais, o BI (não o CC) não é suficiente. Não é suficiente porque não tem (não tinha) a morada/residência do eleitor. Não se pode (podia) portanto identificar o eleitor pelo BI: não dava para saber se ele (ela pronto) podia votar naquela freguesia e mesa de voto. Daí que se tenha inventado o belo do número de eleitor e o belo do cartão de eleitor (altamente falsificável diga-se de passagem, mas isso agora não interessa nada).</p>
<p>Então e agora, mesmo com o número de eleitor, como é que a mesa sabe que aquele eleitor, com aquele número de eleitor, pode votar naquela mesa? Entram em cena outra invenção &#8220;brilhante&#8221;, os <strong>cadernos eleitorais</strong>, resmas de papel impressas com as listas de eleitores afectos a cada freguesia/mesa. E aqui começa o problema: impressas em papel.</p>
<p><strong>Primeiro problema</strong>: não dá para um eleitor votar fora da mesa de voto onde está registado. Não dá para mandar as lista nacional de cadernos eleitorais para todas as mesas de voto, cada uma recebe a sua. O eleitor, se está de férias no Algarve, ou vai até Fornos de Algodres para votar ou então chapéu. Se mudou de residência (outro problema), não pode votar onde agora mora.</p>
<p><strong>Segundo problema</strong>: o artolas do eleitor, se mudou de residência, devia comunicar à nova junta de freguesia que agora é morador e informar o seu número de eleitor. Pois é, muita gente não faz isto. Eu moro há dez anos na Rua da Penha de França e ainda vou votar a Carnide. E a Cristina ainda vai votar a Benfica, umas vezes à Escola Pedro de Santarém outras à Escola Quinta de Marrocos (mais um problema). Somos portanto uns artolas.</p>
<p><strong>Terceiro problema</strong>: então mas a junta de freguesia antiga não devia dar baixa do eleitor? Devia. Só que não sabe porque o eleitor se está basicamente a cagar e não comunica a baixa. Para além disso a junta de freguesia também se está a cagar porque quanto mais eleitores tiver registados mais subsídios recebe. Ah pois é.</p>
<p><strong>Quarto problema:</strong> se um eleitor comunica à junta de freguesia onde agora mora que é eleitor mas se esquece de comunicar à sua junta de freguesia original que se foi embora, há agora um eleitor que vale por dois. No limite pode ir votar às duas secções de voto. Tão a ver porque é que existem mais eleitores do que a população portuguesa?</p>
<p><strong>Quinto problema</strong>: o eleitor nunca sabe onde vai votar. Umas vezes é na escola, outras vezes na junta de freguesia, outras vezes no quartel dos bombeiros. Antes de ir votar, o eleitor deveria consultar os editais (deves&#8230;) para saber em que local vota. Na verdade não o faz. Vai directo ao sítio onde votou da última vez. Depois às vezes lixa-se porque tem de ir para a fila noutro sítio. E chateia-se porque o País é uma vergonha e é do terceiro mundo.</p>
<p>Estão aqui a ver a cena? <strong>Desde sempre que é necessário consultar os cadernos e os editais. De antemão</strong>. Só que ninguém o faz: deixa tudo para a última e consulta lá no estaminé onde vota. O processo e os problemas que aconteceram nestas eleições já existiam antes, só que em menor escala.</p>
<p>Os eleitores, como de costume, deixaram tudo para a última. Não consultaram os cadernos eleitorais, em papel, por telefone, por SMS ou online. É certo que, pelos vistos, o Estado também não os informou (problemas de orçamento?), como fez em eleições anteriores. No dia, da mesma forma que anteriormente se acotovelavam eleitores no dia das eleições para ver os cadernos e em que secção votavam, acotovelaram-se desta vez nos SMS, no telefone e no site. Conclusão: o site foi à vida.</p>
<p>É a vida&#8230; Os eleitores não sabem, não querem saber, o Estado não explica, ah e tal, e eu gosto de trabalhar sim senhor, mas não os vejo a fazer nada.</p>
<p>Estes problemas todos, resolvem-se? Resolvem. Com o Cartão de Cidadão e com a informatização dos cadernos eleitorais.</p>
<p>É que o Cartão de Cidadão identifica de forma única o eleitor e contém a morada actual do mesmo. E quando há uma mudança (nas Finanças, na Segurança Social, etc) ficam logo todos os serviços a saber da nova morada. Nomeadamente o MAI, para alterar o local de voto respectivo. Acresce que, desta forma, pode o eleitor passar a votar em qualquer mesa de voto. O CC é usado para verificar a identidade e a residência e, depois de feito o voto (em papel, que isso do <a href="http://mvalente.eu/2009/06/05/a-ilusao-do-voto-electronico/">voto electrónico é uma parolice</a>) o leitor votou e já não vota em mais lado nenhum. Só que há malta que não gosta. Há eleitores que gostam de ir votar ao cú de Judas. Há eleitores que têm uma ou mais moradas e não querem que lhas mudem. Há autarquias que lhes dá jeito manter o número de eleitores não se vão perder os subsídios. E há partidos que também não lhes fica em caminho, porque podia acontecer deixar de ter a mesma base eleitoral inflacionada que permite ganhar mais uns vereadores e tal.</p>
<p>Estes problemas estão resolvidos: o Cartão de Cidadão funciona perfeitamente e os cadernos eleitorais informatizados também. Qual é o problema então? O problema é que numa fase transitória, há quem ainda não tenha mudado para o CC e continue a ter BI e cartão de eleitor. Há quem se recuse a mudar. Portanto continua a ser necessário mapear BIs em cartões de eleitor e vice versa. Portanto continua a ser necessário, como dantes, que o eleitor se informe do local onde deve votar. Seja porque tem o BI e o cartão de eleitor ou seja porque tem o CC e foi feita a mudança de residência automaticamente (&#8220;tá mal, acabaram com a burocracia e tal, e eu agora já não posso ter teorias da conspiração sobre falcatruas nas mesas de voto com eleitores mortos e o camandro&#8221;). É preciso consultar um site, fazer um telefonema ou mandar um SMS. Mas isso é muito chato. Vai-se no dia e depois logo se vê.</p>
<p>Conclusão: o problema das eleições deveu-se ao eleitor e ao Estado. O eleitor não se informa. Julga que só tem direitos. Deveres népia. E o Estado também não informa. Custa dinheiro e não dá jeito. A componente tecnológica foi obviamente uma parte do problema e que podia ter sido precavida. Mas foi a parte menor do problema. A parte principal foram as deficiências no exercicio da cidadania e as deficiências de comunicação do poder estatal. Se os processos têm problemas e não são alterados, não há muito que a tecnologia possa fazer. Basicamente apenas vai replicar processos deficientes e multiplicar por 10x as suas consequências.</p>
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		<title>Deixem-nos Ser Empreendedores</title>
		<link>http://mvalente.eu/2010/12/15/deixem-nos-ser-empreendedores/</link>
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		<pubDate>Wed, 15 Dec 2010 13:47:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Aqui há umas semanas atrás li um artigo (que agora não sei qual é nem onde foi porque os sistemas actuais de bookmarks não valem um peido) onde se falava de como tornar um país mais atractivo para o empreendedorismo. E hoje apareceu na minha lista de artigos para ler um post sobre &#8220;Quem São [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aqui há umas semanas atrás li um artigo (que agora não sei qual é nem onde foi porque os sistemas actuais de bookmarks não valem um peido) onde se falava de como tornar um país mais atractivo para o empreendedorismo. E hoje apareceu na minha lista de artigos para ler um post sobre <a href="http://contactme.com/blog/trends/who-are-entrepreneurs/">&#8220;Quem São os Empreendedores&#8221;</a>, onde é traçado um perfil do empreendedor comum.</p>
<p>Vão lá para o fundo do infográfico e vejam quais são os problemas típicos dos empreendedores nos EUA: os mesmos que em Portugal. Ou seja, acima de tudo os custos com o Estado social(ista); impostos e segurança social e etc. Em Portugal, feitas bem as contas, a taxa de impostos paga por uma empresa nos primeiros anos de vida pode ser 40, 50 e 60%. A reacção dos meus alunos de Entrepreneurship e Business Planning foi engraçada quando confrontados com esta realidade. Especialmente os alunos estrangeiros (Erasmus), que são neste momento cerca de 30% na Universidade Católica.</p>
<p>O que é que podia ser feito para que Portugal fosse mais empreendedor e atraísse mais empreendedores? Aqui vai a minha listinha para o Pai Natal:</p>
<ul>
<li>para as empresas com menos de 3 anos e/ou menos de 100.000€ de facturação, permitir o diferimento dos pagamentos da Segurança Social. Não é eliminar os pagamentos ou a Segurança Social (embora isso fosse a situação ideal). Os pagamentos devidos à Segurança Social seriam contabilizados e teriam de ser pagos assim que a empresa ultrapassasse os limites referidos. Em suaves prestações, claro.</li>
<li>para as empresas com menos de 3 anos e/ou menos de 100.000€ de facturação, permitir o diferimento dos pagamentos de IRS e IRC. Não é eliminar. Os pagamentos devidos seriam contabilizados e teriam de ser pagos mais tarde, depois de ultrapassados os limites referidos</li>
<li>se dentro dos 3 anos referidos a empresa tivesse de fechar, os pagamentos não tinham de ser feitos. O Estado, se quer empreendedores e empreendedorismo, tem de ser parceiro no risco: partilha nos lucros (ie. cobra impostos) mas também partilha nas perdas.</li>
<li>EDIT: IVA contra recibo em vez de factura para as novas empresas ( <a href="http://twitter.com/jneves/statuses/15052603951943680">@jneves</a> )</li>
<li>adicionalmente, e especialmente tendo em conta que o desemprego nas camadas mais jovens não de 9, 10 ou 11% mas sim de 20 ou 25%, abolir durante os mesmos 3 anos de uma empresa, para empregados com idade inferior a 25 anos, a aplicabilidade do salário mínimo.</li>
<li>finalmente, permitir que uma empresa, antes de completar 3 anos e/ou ter menos de 100.000€ de facturação, possa fechar de forma liminar, sem abertura de falência, administradores judiciais, pagamento de indemnizações, etc</li>
</ul>
<p>Garanto-vos que em 3 anos o empreendedorismo duplicava e que passados esses 3 anos o acionista Estado estava a receber dividendos (ie. impostos) bem maiores do que os que obtém actualmente.</p>
<p>O melhor que o Estado pode fazer para promover o empreendedorismo é sair do caminho e deixar-nos trabalhar. Depois faziamos contas mais tarde.</p>
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		<title>Justiça sem Ministério da Justiça</title>
		<link>http://mvalente.eu/2010/02/23/justica-sem-ministerio-da-justica/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 23:51:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma solução simples para acabar com os problemas da Justiça: acabar com o Ministério da Justiça. Melhor dizendo: a forma de alterar a percepção e atribuição de problemas na Justiça em Portugal é acabar com o Ministério da Justiça. Em Portugal, os cidadãos têm uma ideia errada do que é a Justiça. Em primeiro lugar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma solução simples para acabar com os problemas da Justiça: acabar com o Ministério da Justiça.</p>
<p>Melhor dizendo: a forma de alterar a percepção e atribuição de problemas na Justiça em Portugal é acabar com o Ministério da Justiça.</p>
<p>Em Portugal, os cidadãos têm uma ideia errada do que é a Justiça. Em primeiro lugar porque acham que as responsabilidades na Justiça são apenas do Ministério da Justiça, e portanto atribuem ao Ministério a responsabilidade de todo e qualquer problema. Em segundo lugar porque acham que o Ministério da Justiça se resume às coisas dos Tribunais, sem perceber que o mesmo Ministério tem muito mais atribuições, aonde faz o seu trabalho, moderniza e faz mudanças para beneficio dos cidadãos.</p>
<p>O Ministério da Justiça é mais do que as coisas da Justiça dos Tribunais. Esses assuntos são tratados pela Direcção Geral da Administração da Justiça (DGAJ) a quem compete a gestão dos tribunais e a gestão do pessoal dos tribunais (exceptuando juízes e magistrados). Mas isso é cerca de metade das responsabilidades do Ministério da Justiça. A outra metade são as actividades e responsabilidades do Instituto de Registos e Notariado, a quem compete a gestão das conservatórias (civis, prediais, automóvel e comerciais), onde nos últimos anos se fizeram reformas relevantes (Empresa na Hora, Documento Unico Automovel, etc). O facto de essas reformas terem sido feitas tem a ver com a responsabilidade e autoridade do Ministério da Justiça. Que existe no caso dos Registos e Notariado, mas não existe no caso dos tribunais: nesse caso a responsabilidade é partilhada com o juízes e magistrados.</p>
<p>E é daqui que decorre a ideia errada referida em primeiro lugar: o cidadão acha que o Ministério da Justiça é a Justiça e acha que do Ministério da Justiça é de onde vêm todos os problemas e é de onde deveriam vir todas as soluções. O cidadão esquece-se que, num Estado de Direito, o sistema judicial (tribunais, juizes, magistrados, etc) é completamente independente do poder executivo (o Governo) e que portanto pode (e muito bem), colocar entraves à actuação do Ministério da Justiça.</p>
<p>Mas então, para evitar esses entraves, para garantir que o cidadão perceba que a Justiça não é o Ministério da Justiça e para se poder atribuir adequadamente as responsabilidades por qualquer problema que exista na Justiça, o melhor é acabar com o Ministério da Justiça. Isto já para não falar que essa é a forma de verdadeiramente estabelecer um Estado de Direito e a independência do poder judicial face ao poder executivo.</p>
<p>Isto não seria novidade nenhuma: em vários países da Europa não existe Ministério da Justiça.</p>
<p>As responsabilidades da DGAJ passariam a ser tuteladas pelo poder judicial (Supremo Tribunal de Justiça, Conselho Superior da Magistratura, Procuradoria Geral da República, etc). Nesse âmbito passaria a ser o poder judicial a ter responsabilidades sobre a gestão dos tribunais assim como sobre o pessoal que trabalha nos mesmos (oficiais de justiça). Também a Polícia Judiciária deveria ser tutelada apenas pelo poder judicial. As responsabilidades do IRN (com excepção do registo civil) passariam a ser atribuidas ao Ministério da Economia (empresas, prédios e carros têm mais a ver com Economia do que com Justiça). O registo civil (os BIs, Cartões do Cidadão, nascimentos, mortes, etc) passaria a ser responsabilidade do Ministério da Administração Interna, assim como as atribuições da Direcção Geral de Serviços Prisionais (ao fim e ao cabo são polícias). Outros serviços do Ministério da Justiça são também perfeitamente atribuíveis a outros Ministérios. A título de exemplo: o Instituto de Reinserção Social faria todo o sentido que fosse tutelado pelo Ministério da Segurança Social; o Instituto Nacional de Medicina Legal faria todo o sentido que fosse tutelado pelo Ministério da Saúde.</p>
<p>E pronto, problema resolvido. O Estado transferia verbas para o sistema judicial como faz para as autarquias. O sistema judicial era verdadeiramente independente, como manda um Estado de Direito. Juízes e magistrados passavam a poder gerir os tribunais e o pessoal como bem entendessem. E o cidadão passava a poder atribuir a responsabilidade de qualquer problema na Justiça (a lentidão por exemplo) sem ter o bode expiatório do Ministério da Justiça que neste momento vê todo e qualquer trabalho de qualidade remetido para o esquecimento apenas pela existência de problemas que muitas vezes não cria e sobre os quais não pode fazer (quase) nada.</p>
<p>E se calhar o cidadão começava também a perguntar-se qual a legitimidade democrática do sistema judicial, onde é que os cidadãos são tidos ou achados para escolher quem são os juízes e como chegam a cargos de relevância (nos EUA são eleitos). Ou a perguntar-se se faz sentido ter no mesmo tribunal, no mesmo edifício, juízes que julgam e magistrados que acusam, e se não faria mais sentido que o *Ministério* Público fosse&#8230;. um Ministério. Pelo menos garantia-se que o número de Ministérios se mantinha, o que é sempre uma coisa importante. Acho.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O Sr. Rating, Esse Bandido</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 22:22:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto sou presidente da CMVM e vou à Europa prestar depoimentos em comissões de inquérito e os ratings são aplicados aos outros, o Sr. Rating é um gajo porreiro: &#8220;there is no reason why we shouldn’t continue to have faith in ratings given&#8221; ( http://www.europarl.europa.eu/hearings/20020710/teixeira.pdf ) Enquanto Ministro das Finanças e quando os ratings não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto sou presidente da CMVM e vou à Europa prestar depoimentos em comissões de inquérito e os ratings são aplicados aos outros, o Sr. Rating é um gajo porreiro: &#8220;there is no reason why we shouldn’t continue to have faith in ratings given&#8221; ( <a href="http://www.europarl.europa.eu/hearings/20020710/teixeira.pdf">http://www.europarl.europa.eu/hearings/20020710/teixeira.pdf</a> )</p>
<p>Enquanto Ministro das Finanças e quando os ratings não são em meu favor, o Sr Rating é um filho da mãe e um incompetente: &#8220;erros cometidos pelas agências de rating&#8221; ( <a href="http://economico.sapo.pt/noticias/teixeira-dos-santos-acusa-agencias-de-rating-de-servirem-interesses-comerciais_80091.html">http://economico.sapo.pt/noticias/teixeira-dos-santos-acusa-agencias-de-rating-de-servirem-interesses-comerciais_80091.html</a> )</p>
<p>Decida-se.</p>
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		<title>Corrupção e Pobreza</title>
		<link>http://mvalente.eu/2010/01/20/corrupcao-e-pobreza/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 00:11:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Causas da corrupção: restrições a um livre mercado subsídios governamentais controlo de preços baixos salários na Função Pública Consequências da corrupção: pouco investimento e pouco crescimento económico má alocação e retenção de talentos perda de receita fiscal problemas orçamentais qualidade inferior nas infraestruturas e serviços públicos Isto diz-vos alguma coisa? Conseguem ver o paralelo, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Causas da corrupção:</p>
<ul>
<li>restrições a um livre mercado</li>
<li>subsídios governamentais</li>
<li>controlo de preços</li>
<li>baixos salários na Função Pública</li>
</ul>
<p>Consequências da corrupção:</p>
<ul>
<li>pouco investimento e pouco crescimento económico</li>
<li>má alocação e retenção de talentos</li>
<li>perda de receita fiscal</li>
<li>problemas orçamentais</li>
<li>qualidade inferior nas infraestruturas e serviços públicos</li>
</ul>
<p><a href="http://www.imf.org/EXTERNAL/PUBS/FT/ISSUES6/INDEX.HTM">Isto</a> diz-vos alguma coisa? Conseguem ver o paralelo, a analogia? Portanto é simples: para acabar com as consequências basta resolver as causas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quem é que Faz de Anjo</title>
		<link>http://mvalente.eu/2009/09/30/quem-e-que-faz-de-anjo/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 15:36:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu disse que ia falar sobre este assunto e andei a arranjar vontade para o fazer. Como tenho andado a tomar o Cholagut e já me sinto melhor da figadeira, cá vai&#8230; Esta coisa do empreendedorismo e das startups é uma coisa incerta, variável, dinâmica, imponderável, cheia de inesperados. É uma coisa que implica assumir, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu <a href="http://mvalente.eu/2009/09/03/estado-faz-de-anjo/">disse</a> que ia falar sobre <a href="http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&amp;id=384786">este assunto</a> e andei a arranjar vontade para o fazer. Como tenho andado a tomar o Cholagut e já me sinto melhor da figadeira, cá vai&#8230;</p>
<p>Esta coisa do empreendedorismo e das startups é uma coisa incerta, variável, dinâmica, imponderável, cheia de inesperados. É uma coisa que implica assumir, como hei-de dizer&#8230;: riscos. Como consequência tem-se obviamente que o financiamento deste tipo de projectos, implica, digamos, algum risco. Não é daquele risco tipo &#8220;vou andar de skate mas posso partir uma perna&#8221;, não. É mais daquele tipo &#8220;vou atravessar uma floresta em chamas infestada de leões e acredito que vou sair do outro lado incólume. Ou morto&#8221;. Se calhar é por isso que o investimento neste tipo de projectos se chama <strong>capital de risco</strong>. Digo eu.</p>
<p><span id="more-858"></span></p>
<p>Sempre achei piada ao capital de risco em Portugal. &#8220;Ai, nós vamos investir 10 milhões em capital de risco na Vista Alegre&#8221;. Qual risco? Uma empresa já com um produto, com uma infraestrutura, com activos, com facturação e cash flows&#8230; Risco? Poupem-me. Isso é <strong>private equity</strong>, não é capital de risco. Cheguei a ouvir numa apresentação um senhor de uma empresa de &#8220;capital de risco&#8221; a dizer com todas as letras &#8220;nós somos uma empresa de capital de risco mas não gostamos de correr riscos&#8221;. Ah bem&#8230; Eu também não. Aliás: eu só gosto de correr riscos quando sei quais são. São riscos, mas eu assumo-os. É totalmente diferente de dizer &#8220;eu gosto de correr riscos&#8221; (quaisquer riscos; o que é irresponsável) ou de dizer &#8220;eu não gosto de correr riscos&#8221; (quaisquer riscos; o que é de maricas).</p>
<p>Indo ao assunto em causa. Resolveu o Governo, em nome do Estado, criar o <a href="http://www.qren.pt/news_detail.php?lang=0&amp;id_channel=2&amp;id_page=70&amp;id=330">programa SAPFRI</a>, no âmbito do QREN 2007-2013 (leia-se: a última vez que Portugal recebe fundos da EU). O programa e os seus subprogramas &#8220;visam a constituição ou reforço de Fundos de Capital de Risco&#8221;. Trocando por miúdos: o Estado mete dinheiro do contribuinte em Fundos de Capital de Risco.</p>
<p>Parece-me logo bem a ideia de correr riscos com o dinheiro dos contribuintes. É certo que o mesmo já se corre quando o dinheiro dos fundos da Segurança Social é aplicado em obrigações ou fundos de acções ou outros mecanismos financeiros. É a única forma de fazer &#8220;crescer&#8221; esse dinheiro e garantir o funcionamento futuro do sistema de Segurança Social (que em minha opinião não devia existir, ou pelo menos devia ser opcional, mas isso é outra conversa). Mas são riscos controlados, tipo &#8220;andar de skate&#8221;. O Estado meter dinheiro em capital de risco é daquele tipo &#8220;floresta em chamas e leões&#8221;. O guito pode ir todo por água abaixo. O que é no mínimo desagradável. Para correr esse tipo de risco era mais fácil não meter o guito em fundos de capital de risco e não ter de pagar comissões e dividir lucros com as empresas de capital de &#8220;risco&#8221;. Bastava pegar no dinheiro (141 milhões de Euro) e distribui-lo a fundo perdido, em blocos de 50.000 Euro (capital social mínimo de uma S.A), às primeiras 2.820 empresas que aparecessem no balcão. Era mais simples burocraticamente e criava ou apoiava mais empresas do que as 60, 70 (ou 100 ou 200) que têm planeadas. Para além de que (conversa de Corporate Finance) o risco estava mais distribuido aumentando a probabilidade de remuneração do capital (tradução: aposto em mais cavalos logo tenho mais hipótese de acertar no vencedor).</p>
<p>Também me parece um pouco estranho este conceito de meter o dinheiro dos contribuintes em empresas de capital de &#8220;risco&#8221; que não gostam de correr riscos. &#8220;Ai eu não gosto e não posso correr riscos com o dinheiro dos investidores&#8221;. OK, tudo bem. &#8220;Ai é dinheiro dos contribuintes? Então bora lá correr riscos!!&#8221;. Se uma empresa de capital de risco tem uma oportunidade de investir numa empresa correndo riscos tendo a hipótese de ganhar uma pipa de massa, porque é que precisa da ajuda do Estado para correr o risco? Se não quer correr o risco mas o Estado acha que deve investir em empresas com risco, então é mais simples dar o dinheiro directo às empresas e não pagar comissões e partilha de lucros. Vidé parágrafo acima.</p>
<p>Mas tudo bem. É o que está montado, não há nada a fazer. Vamos então esmiuçar (aposto que não estavam à espera desta&#8230;) o <a href="http://www.qren.pt/news_detail.php?lang=0&amp;id_channel=2&amp;id_page=70&amp;id=330">programa e subprogramas</a>:</p>
<ul>
<li>na maior parte dos subprogramas aparece &#8220;Prazos para a apresentação de candidaturas no âmbito do COMPETE: Entre o dia 31 de Agosto e o dia 25 de Setembro de 2009&#8243;. Parece-me bem. Ora deixa lá ver: o programa é apresentado a 31 de Agosto, o prazo é de 31 de Agoso a dia 25 de Setembro; isto dá, sei lá, 26 dias para apresentar uma candidatura. Tendo em conta as exigências feitas às candidaturas só o Zandinga é que tinha hipótese de se candidatar a tempo. Ou então quem tivesse candidaturas já preparadas. Tipo template Word, preencha os campos e sai do outro lado o business plan completo para os próximos 5 anos. Para garantir a adrenalina dos deadlines, no caso de investimentos em indústria criativas o prazo é (era) até 15 de Setembro. Risível.</li>
<li>em quase todos os subprogramas aparecem os &#8220;Objectivos: A criação ou reforço de Fundos de Capital de Risco&#8221;. Criação? Oh meus amigos, isto não é o Empresa Na Hora (tendo muito respeito pelo serviço, tenho amigos que conhecem lá pessoas). Não dá para ir ali ao balcão na Loja do Cidadão e dizer &#8220;Olá, vim aqui criar um Fundo de Capital de Risco, tenho a senha 214 e já passou a hora do cacilheiro das 6&#8243;. A criação de um FCR é complexa, dá direito a comunicação à CMVM e tudo. Um gajo lê as exigências e fica todo borrado. Para além de perder a vontade (de criar o fundo, quero dizer). Vá, podiam ter lá posto &#8220;Objectivos: Reforço de Fundos de Capital de Risco&#8221;. Era mais simples. Ficava claro que o programa era para financiar os fundos já existentes. Daqueles que até têm templates Word para as candidaturas&#8230;</li>
<li>somente num dos subprogramas é que não aparece &#8220;Os FCR não poderão ter um montante de capital inferior a X&#8221;. Onde X é ou 2/2,5 milhões de Euro ou 4/5 milhões de Euro. De acordo com a <a href="http://www.cmvm.pt/NR/exeres/A4371A3D-8687-4FC5-9A3D-446F1DBE271F.htm">lei</a>, o capital mínimo para um fundo é de 1 milhão de Euro. Portanto: os que têm menos dinheiro ficam a chupar no dedo; os gajos que são &#8220;ajudados&#8221; (a correr riscos) são os que têm mais dinheiro. Faz sentido.</li>
<li>cada candidatura deve conter, parafraseando, &#8220;o plano de actividades e investimento, identificação da estrutura de recursos humanos e de gestão de projectos, planificação do uso dos dinheiros&#8221;. Coisa fraca. É para apresentar em 26 dias. Ou menos. Fácil. Especialmente no caso de ser a &#8220;criaçao de um Fundo de Capital de Risco&#8221;. Ah! é só para casos de reforço, esqueci-me.</li>
<li>em dois dos subprogramas temos a exigência de que &#8220;os promotores do projecto terão de participar no capital da empresa a constituir com um valor mínimo de 5 mil euros, sendo o restante capital subscrito pelo FCR&#8221;. Ora vamos lá fazer as contas: os promotores/empreendedores têm 5.000€ de capital. O resto vem do fundo. Assim de repente não me ocorre que a empresa precise de  mais 2 ou 3 mil Euro. E também não me parece que o fundo esteja lá para investir 2 ou 3 mil Euro. Digamos que investe 5.000€, para que a empresa tenha um total de 10.000€ disponíveis. Os promotores/empreendedores ficaram portanto com 50% da empresa e o fundo com os outros 50%. Mas, como disse, não me parece que as necessidades e os investimentos sejam desta ordem de valores. Digamos que os empreendedores têm 5.000€ e precisam de mais 45.000€ (somando 50K€, o mínimo para criar uma S.A.). O fundo de capital de risco fica com <strong>90% </strong>da empresa e os empreendedores com 10%. É justo. E podem dizer: &#8220;ah se os empreendedores querem mais percentagem de ownership então que entrem com a massa&#8221;. Certo&#8230; O empreendedor quer ter 90% da empresa. Portanto entra ele com os 45.000€. Pergunta: para que precisa ele dos 5.000€ adicionais da capital de risco? Pergunta: porque é que a capital de risco vai colocar 5.000€ numa empresa?</li>
<li>a estrutura normal de um investimento de capital de risco segue a regra dos 2/20/80. Isto é: a capital de risco cobra 2% de comissão de gestão; quaisquer lucros de um investimento realizado são distribuidos em 20% para a entidade gestora do fundo e em 80% para os investidores no fundo. Os promotores recebem uma remuneração da sua ideia, investimento e trabalho, proporcional à percentagem detida na empresa. Exemplo: um grupo de empreendedores criar uma empresa com 50.000€; uma capital de risco entra com mais 50.000€; a empresa fica portanto dividida em 50% de capital pertencente aos empreendedores e 50% pertencente à capital de risco. A capital de risco tem logo a receber 2% dos 50.000€ (ie. 1000€; é pouco, claro, dada a dimensão do investimento; imaginem que estávamos a falar de um investimento de 5 milhões e a comissão de gestão era de 100.000€ imediatos, sem riscos e sem passar pela casa da partida). Imagine-se agora que a empresa é vendida por 1 milhão de Euro. Os promotores, que detêm 50% da empresa, têm a receber 500.000€. A capital de risco tem a receber outros 500.000€. Tirando os 50.000€ de investimento, a capital de risco tem um lucro de 450.000€. Estes são distribuídos em 20% para a capital de risco (90.000€) e 80% para os investidores (360.000€)</li>
<li>a estrutura destes programas parece seguir a regra dos 3/?/?&#8230; A comissão de gestão é de 3%. Qual a distribuição das mais valias? Não sabemos. Bem, sabemos pelos documentos que 15% são para os promotores. Mas e os restantes 85%, são distribuídos como? Quanto é que cabe à capital de risco (denominada de <em>carry</em>)? Quanto é que cabe aos investidores? Não sabemos. Na falta de informação, assuma-se que o <em>carry</em> é de 0%, ou seja, a capital de risco não partilha dos lucros. Então qual é o incentivo que tem em fazer e gerir o investimento? Será que é 5% (os normais 20% aos quais foram subtraídos os 15% a dar aos promotores)? Se forem 5% mais uma vez: então qual o incentivo ao trabalho da capital de risco? Mais: se a capital de risco tiver um investimento interessante, porque é que o há-de fazer com o dinheiro destes programas, com os quais recebe 5% das mais valias, em vez de fazer com o dinheiro de fundos próprios onde recebe 20% das mais valias? Vamos assumir que são os normais 20%. Mais os 15% de distribuição aos promotores sobra 65% para os investidores. Eu se fosse investidor não queria ver o meu dinheiro a ser usado em conjunto com estes fundos. Estou habituado a ver o meu capital remunerado com 80% dos lucros, chateia-me um bocado que ele seja remunerado apenas com 65%. Mas tudo bem, sobram 65% para distribuir pelos investidores. De que forma é distribuido? Quanto calha aos investidores institucionais? Quanto é que calha ao Estado? É a fundo perdido? Não sabemos.</li>
<li>no meio disto tudo safa-se um dos subprogramas, o destinado aos <a href="http://www.qren.pt/download.php?id=1284">business angels</a>, e ao qual <a href="http://seedcapital.pt/">teriamos</a> todo o interesse e gosto em concorrer. Sendo certo que não é nos mesmos moldes que os outros subprogramas: neste o dinheiro não é dado, é emprestado, e tem de ser pago com juros (o que acho muito bem; mesmo). Concorreriamos, não fossem feitas algumas exigências que continuam a não fazer muito sentido: os prazos apertados (neste caso mais dilatado, até 30 de Outubro); as exigências feitas às candidaturas apenas atingíveis por quem já opera há vários anos (estrutura de recursos humanos, existência de um sistema de informação &#8220;adequado&#8221;, conjunto de reports regulares perfeitamente inúteis e consumidores de tempo); e finalmente mas não menos importante, as exigências feitas aos investidores individuais (ie. os business angels), nomeadamente a necessidade de estarem registados na CMVM e de estarem constituidos como uma sociedade unipessoal (o que mais uma vez levanta a questão dos prazos para formalizar todas estas figuras dentro do prazo das candidaturas; a não ser que esteja já tudo montado e nesse caso os programas não apoiam a criação de nada, apenas reforçam). Acresce que este conjunto de exigências aos investidores individuais <a href="http://www.executivo.guarda.pt/PDFS/investidores_em_capital_de_risco.pdf">foi já demonstrado como não tendo interesse nenhum</a> para os business angels.</li>
</ul>
<p>Em suma: o Estado e o Governo, cada vez que querem ajudar, desajudam. A iniciativa deste programa é meritória mas peca pelo excessivo conjunto de regras e a excessiva rigidez das formas, ambas pouco compatíveis para o ambiente dinâmico existente no contexto do empreendedorismo e das startups. No meio disto tudo fica sem se saber se o Estado faz de anjo ou se é anjinho; se as empresas de capitais de risco são anjinhos (ou não); e finalmente se não é o contribuinte que é um anjinho, quando podia ser um anjo e investir o dinheiro que lhe cobram em impostos em empresas suas, em vez de o mesmo ser usado para financiar empresas dos outros.</p>
<p>Se o Estado quer mesmo ajudar os os investidores, os empreendedores e as startups, ficam aqui algumas sugestões: façam menos; saiam do caminho; deixem-nos trabalhar; cobrem menos impostos às empresas nos 3 primeiros anos de vida; concedam empréstimos <strong>directos</strong> às startups (e não aos investidores), a uma taxa bonificada ou razoável, a pagar num período de médio/longo prazo (3 a 5 anos), sem grandes planeamentos e burocracias. Era mais simples e trazia mais resultados do que o rococó e as exigências leoninas do programa em causa.</p>
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<pre>Prazos para a apresentação de candidaturas no âmbito do COMPETE&lt;/<span class="end-tag">font</span>&gt;: Entre o dia 31 de Agosto e o dia 25 de Setembro de 2009</pre>
</div>
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		<title>Estado faz de anjo</title>
		<link>http://mvalente.eu/2009/09/03/estado-faz-de-anjo/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Sep 2009 23:57:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu até me apetecia escrever um post sobre isto http://is.gd/2OviQ mas pensando bem, não me apetece. Estou de férias, faz-me mal ao fígado, fica para a semana&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu até me apetecia escrever um post sobre isto <a href="http://is.gd/2OviQ">http://is.gd/2OviQ</a> mas pensando bem, não me apetece. Estou de férias, faz-me mal ao fígado, fica para a semana&#8230;</p>
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		<title>O Poder da Internet</title>
		<link>http://mvalente.eu/2009/08/25/o-poder-da-internet/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 16:07:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Technology]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;O poder da Internet deve servir o Mundo&#8221; Não serve nem deve servir. A Internet serve o individuo, transfere poder das organizações e do colectivo para o individuo. Uma afirmação colectivista e socialista cuja consequência lógica é a submissão da Internet a uma qualquer entidade supranacional (ONU? EU?) e a retirada de direitos digitais aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em><a href="http://www.ionline.pt/conteudo/19767-diogo-vasconcelos-politicos-orquestram-inteligencia-colectiva">&#8220;O poder da Internet deve servir o Mundo&#8221;</a></em></strong></p>
<p>Não serve nem deve servir. A Internet serve o individuo, transfere poder das organizações e do colectivo para o individuo. Uma afirmação colectivista e socialista cuja consequência lógica é a submissão da Internet a uma qualquer entidade supranacional (ONU? EU?) e a retirada de direitos digitais aos cidadãos (confidencialidade, anonimidade, privacidade).</p>
<p><strong><em>&#8220;A tecnologia não resolve problemas, as pessoas resolvem problemas.&#8221;</em></strong></p>
<p>Precisamente. Pessoas. Possivelmente agregadas em grupos por vontade própria. O que não resolve problemas: colectivos impostos, partidos e políticos, entidades supranacionais e supraindividuo.</p>
<p><strong><em>&#8220;Os políticos do presente e do futuro têm de orquestrar a inteligência colectiva.&#8221;</em></strong></p>
<p>Não têm nada. A inteligência colectiva orquestra-se a si própria. A inteligência colectiva de uma colónia de formigas não é orquestrada por ninguém. A inteligência colectiva de um cérebro também não, não é preciso ninguém a orquestrar os neurónios.</p>
<p><strong><em>&#8220;Devem impor-se pela confiança. O seu desígnio não é um conceito de justiça meramente formal, mas o desenvolvimento das capacidades para que cada um atinja o seu potencial.&#8221;</em></strong></p>
<p>Cá está. Mais uma das várias afirmações que trai o tom geral da entrevista, um tom de descentralização, poder distribuido, capacidade dos individuos. No fundo, no fundo, as pessoas e cidadãos são umas bestas que precisam que os politicos se imponham e lhes orquestrem a vidinha para que possam atingir o seu potencial.</p>
<p>Para além do discurso bonito, é uma agenda compreensivel para quem representa não só uma multinacional mas também o poder politico (um partido).</p>
<p>Em tudo o resto é uma boa entrevista.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>On the Immorality of Socialism</title>
		<link>http://mvalente.eu/2009/08/25/on-the-immorality-of-socialism/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 00:58:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mvalente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politics]]></category>

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		<description><![CDATA[This clip is taken from a 1990 debate at the University of Waterloo, featuring Bob Rae, 6-months before he became the Premier of Ontario, and John Ridpath, who at the time was an associate professor at York University in Toronto, Canada. On the Immorality of Socialism]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>This clip is taken from a 1990 debate at the University of Waterloo, featuring Bob Rae, 6-months before he became the Premier of Ontario, and John Ridpath, who at the time was an associate professor at York University in Toronto, Canada.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=pFC5OYU4Lyo">On the Immorality of Socialism</a></p>
]]></content:encoded>
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	</channel>
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